Banco Central abre brecha para mudar regras das criptomoedas no Brasil

O Banco Central afirmou que a regulação de criptomoedas no Brasil ainda tem espaço para ajustes, especialmente diante do avanço rápido do mercado e da popularização de ativos como stablecoins.

A declaração foi feita por Nagel Lisâneas Paulino, chefe de divisão da autoridade monetária, durante painel realizado na São Paulo Innovation Week.

Segundo o executivo, o modelo regulatório atual já criou uma base para funcionamento do setor, mas o cenário deve continuar evoluindo nos próximos anos.

Banco Central quer ampliar diálogo com empresas cripto

Durante o evento, Nagel afirmou que o relacionamento entre regulador e empresas supervisionadas passou a ganhar importância na construção das próximas etapas da regulação.

“O diálogo passa a ser relevante entre o regulador e as instituições supervisionadas”, afirmou.

Segundo ele, o Banco Central depende de respaldo legal para avançar em determinadas frentes regulatórias, enquanto o mercado segue evoluindo em velocidade acelerada.

Stablecoins entraram no radar do Banco Central

As stablecoins ganharam destaque dentro das discussões regulatórias após ampliarem uso em pagamentos, câmbio e transferências internacionais.

De acordo com Nagel, o Banco Central passou a enxergar esses ativos mais como instrumentos de pagamento do que de investimento, exigindo uma abordagem diferente.

O executivo lembrou que a lei brasileira aprovada em 2022 não tratava diretamente da emissão de stablecoins.

Regulação cripto avança em meio à expansão global do setor

O debate acontece em um momento de avanço das regras para criptomoedas em vários países.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o Senado americano aprovou recentemente o chamado “Clarity Act”, projeto voltado à definição regulatória do mercado de ativos digitais.

Enquanto isso, bancos, exchanges e empresas financeiras ampliam testes com blockchain, tokenização e stablecoins.

Mercado cripto pressiona reguladores por regras mais claras

Nos últimos anos, o setor de criptomoedas pressionou reguladores em diferentes países por regras mais claras sobre operação, custódia e integração com o sistema financeiro tradicional.

No Brasil, o Banco Central e a CVM passaram a assumir papéis centrais nessa discussão, especialmente após o avanço do Drex e do crescimento das plataformas de negociação de ativos digitais.

Segundo Nagel, o ambiente regulatório tende a continuar mudando conforme novas demandas surgirem dentro do mercado financeiro digital.

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