O Banco do Brasil prevê uma piora da inadimplência no segundo trimestre de 2026, com pressão maior nas operações de cartão de crédito. Segundo executivos da instituição, o aumento do risco no agronegócio começou a atingir também clientes de pessoa física, elevando o nível de preocupação do banco.
A deterioração da carteira levou a instituição a reforçar provisões preventivamente ainda no primeiro trimestre.
“Observamos uma piora no comportamento, principalmente do nosso cliente de cartão de crédito. O cliente que tem menos resiliência ao cenário econômico”, afirmou Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Risco do banco.
Crise no agronegócio começa a pressionar clientes pessoa física
De acordo com o Banco do Brasil, muitos produtores rurais concentram toda a vida financeira na instituição. Com a piora do fluxo de caixa das atividades agrícolas, despesas pessoais e linhas de varejo passaram a ser afetadas.
O movimento atingiu principalmente operações ligadas ao consumo, como cartões de crédito e empréstimos pessoais.
Mesmo antes de parte dessas dívidas ultrapassar 90 dias de atraso, o banco decidiu ampliar as reservas para possíveis perdas.
Banco do Brasil amplia provisões e vê salto na inadimplência
As chamadas Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) cresceram 85,8% e chegaram a R$ 18,9 bilhões em março.
Ao mesmo tempo, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu de 3,63% para 5,05% nos três primeiros meses do ano.
O aumento do risco pressionou diretamente os resultados financeiros da instituição. O lucro líquido ajustado do Banco do Brasil caiu 53,5% no primeiro trimestre de 2026, enquanto o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) recuou para 7,3%.
Cartão de crédito preocupa mais no curto prazo
Segundo executivos do banco, o comportamento das operações de cartão passou a indicar menor capacidade de pagamento dos clientes diante do cenário econômico atual.
A expectativa é que a pressão continue entre abril e junho, antes de uma possível melhora no segundo semestre.
O banco acredita que programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola, podem ajudar a reduzir o ritmo de deterioração da carteira ao longo dos próximos trimestres.
