O Bank of America projeta pelo menos dez ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas brasileiras em 2027, com listagens previstas tanto na bolsa brasileira B3 quanto em mercados americanos. A expectativa foi revelada por executivos do banco a jornalistas nesta terça-feira, em um sinal de otimismo sobre a retomada do mercado de capitais no país após um longo período de escassez de aberturas de capital.
Para atrair investidores e garantir liquidez suficiente, os negócios devem começar em torno de US$ 500 milhões, segundo Bruno Saraiva, co-chefe de Investment Banking do BofA no Brasil e chefe de Equity Capital Markets da América Latina. O patamar reflete a necessidade de as ofertas terem escala mínima para despertar o interesse de investidores institucionais, tanto locais quanto internacionais.
O cenário começa a mostrar sinais de descongelamento. A Compass Gás e Energia (PASS3) concluiu seu IPO no início deste mês, encerrando um jejum de quase cinco anos na B3 — marco que o mercado vinha aguardando como sinal de abertura de uma nova janela para ofertas públicas no Brasil. A operação bem-sucedida da Compass pode funcionar como catalisador para que outras companhias que vinham aguardando condições mais favoráveis acelerem seus planos de abertura de capital.
Enquanto a B3 enfrentava a seca de IPOs, empresas brasileiras encontraram alternativa nas bolsas americanas. O banco digital PicPay e a fintech Agibank conseguiram listar suas ações nos Estados Unidos, aproveitando o apetite dos investidores internacionais por ativos de tecnologia financeira de mercados emergentes.
O movimento evidencia que parte do pipeline de candidatos a IPO pode optar por listagens duplas ou exclusivamente no exterior, a depender das condições de mercado em cada jurisdição.
A perspectiva do BofA para 2027 reflete uma confluência de fatores: a maturação de empresas que adiaram seus planos de abertura de capital nos últimos anos, a eventual estabilização do ambiente macroeconômico brasileiro e o interesse crescente de investidores globais por ativos latino-americanos em um contexto de diversificação de portfólio. O banco posiciona-se para capturar esse fluxo, dado seu histórico como um dos principais coordenadores de ofertas de capital no mercado brasileiro.
