Uma selfie passou a ser suficiente para encontrar fotografias tiradas durante corridas, partidas de futebol, provas de ciclismo e outros eventos esportivos. Esse modelo levou a brasileira Banlek a movimentar mais de R$ 400 milhões em vendas de fotos e vídeos em 2025, o dobro do registrado no ano anterior.
Fundada em 2020, a plataforma conecta cerca de 8 milhões de clientes por mês a mais de 90 mil fotógrafos. A empresa utiliza reconhecimento facial para localizar, entre milhares de arquivos, as imagens em que cada pessoa aparece.
O próximo objetivo é superar R$ 1 bilhão em vendas até o início de 2027. Para sustentar o crescimento, a Banlek amplia a operação internacional, incorpora agentes de inteligência artificial aos processos internos e desenvolve novas fontes de receita.
A meta da companhia para 2026 é alcançar R$ 50 milhões em receita própria, valor diferente do volume total vendido pelos fotógrafos na plataforma. Dependendo do desempenho no segundo semestre, a empresa considera a possibilidade de chegar a R$ 100 milhões.
Reconhecimento facial conecta atletas e fotógrafos
O modelo de negócio possui dois lados. Fotógrafos parceiros registram pessoas em treinos, competições, praias, estádios e outros locais de prática esportiva. Depois, enviam as imagens para a plataforma.
O cliente acessa o site, envia uma selfie e recebe as fotografias nas quais foi identificado. Uma imagem digital custa, em média, aproximadamente R$ 20 e pode ser comprada imediatamente.
Corridas de rua, surfe, ciclismo, futebol, beach tennis e crossfit estão entre as categorias com maior volume. Segundo a Banlek, alguns fotógrafos chegam a faturar mais de R$ 75 mil por mês dentro do sistema.
A empresa cobra comissão de até 10% sobre as vendas digitais. No caso de produtos físicos, como impressões e quadros, a participação pode chegar a aproximadamente 50%, pois a operação inclui produção e entrega por parceiros logísticos.
Além das comissões, a Banlek oferece uma assinatura premium aos profissionais. Desde a fundação, a taxa média aplicada às vendas dos fotógrafos caiu de cerca de 30% para aproximadamente 9%, segundo a companhia.
Agentes de IA assumem até 80% das análises de risco
Nos últimos 12 meses, a Banlek reorganizou parte da estrutura interna ao redor de agentes de inteligência artificial. Os sistemas assumiram atividades que antes exigiam a participação direta de equipes inteiras.
Na análise de risco das transações, os agentes passaram a executar entre 70% e 80% do trabalho. No atendimento ao cliente, a empresa afirma ter reduzido em 70% o volume que precisa chegar a profissionais humanos.
A mudança também levou a companhia a transferir sua sede de Petrópolis, no Rio de Janeiro, para São Paulo e trazer a equipe de volta ao trabalho presencial. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de produtos e adaptar os processos a uma operação mais automatizada.
Para Jonathas Guerra, fundador e CEO da Banlek, o principal desafio não está apenas na tecnologia, mas na mudança da cultura interna.
“Sei que consigo fazer essa receita dobrar até o fim do ano, mas preciso convencer todos os funcionários de que esse é o novo caminho e que todo mundo terá de mudar radicalmente”, afirmou.
Europa pode gerar € 5 milhões em 2026
A internacionalização começou em 2024 e ganhou ritmo no último ano. A Banlek já opera em mais de 20 países e afirma ter vendido acima de R$ 1 milhão na Europa durante os seis primeiros meses da expansão.
Portugal, Espanha, Finlândia, França e Irlanda estão entre os mercados atendidos. A meta é superar € 5 milhões em receita no continente até o fim de 2026.
A entrada foi apoiada por duas aquisições. A Banlek comprou por R$ 9,5 milhões a Epics, empresa com mais de 15 anos de experiência e operação europeia, e também incorporou a SurfMappers, especializada em fotografia esportiva e atividades ao ar livre.
Nos Estados Unidos, a companhia testou o modelo durante dois amistosos da seleção americana antes da Copa do Mundo. A cobertura foi voltada aos torcedores presentes nos estádios, seguindo uma estratégia já adotada no Maracanã.
Durante o torneio, a plataforma também lançou uma ferramenta que transforma selfies em figurinhas personalizadas. As imagens podem ser compradas como adesivos ou ímãs de geladeira, abrindo uma frente de vendas diretamente ao consumidor.









