A Cora entrou em uma nova fase de crescimento após movimentar R$ 190 bilhões em 2025, elevar o faturamento em mais de 60% e manter a operação no azul durante todo o ano. Com a estrutura financeira mais equilibrada, a fintech agora amplia sua oferta de crédito e o uso de inteligência artificial para aumentar a presença entre pequenas e médias empresas.
Fundada em 2019 por Igor Senra e Leonardo Mendes, a companhia nasceu com foco exclusivo no atendimento a negócios. Mais de 1,7 milhão de empresas já foram integradas à sua base desde então.
No primeiro trimestre de 2026, a operação cresceu cerca de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a empresa. A expansão acontece depois de a Cora atingir o ponto de equilíbrio no fim de 2024 e receber autorização do Banco Central para operar como Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento.
“Atingir o breakeven foi um marco importante, mas ainda mais relevante foi sustentar esse equilíbrio enquanto crescíamos de forma consistente”, afirma Senra, CEO da Cora.
Crédito ganha espaço na estratégia
Com a operação lucrativa, a Cora passou a acelerar produtos como capital de giro e antecipação de recebíveis de boletos. A ampliação da oferta será apoiada pelo uso de dados para avaliar o perfil financeiro das empresas e definir limites e condições de pagamento.
A estratégia busca aumentar o acesso ao crédito sem comprometer a capacidade de pagamento dos clientes. Para a fintech, o produto deve ser oferecido de acordo com o momento de cada negócio, em vez de funcionar apenas como uma fonte imediata de recursos.
“O crédito é uma alavanca poderosa para o crescimento dos pequenos e médios negócios, mas precisa ser oferecido no momento certo e da forma correta”, diz Senra.
A licença obtida junto ao Banco Central permite à Cora operar diretamente parte dessas soluções, reduzindo a dependência de parceiros e ampliando o controle sobre os produtos financeiros oferecidos.
Inteligência artificial automatiza cobranças
Outra frente de expansão está no uso de inteligência artificial para assumir tarefas administrativas. A fintech começou a disponibilizar para parte da base um agente que identifica boletos vencidos e conduz cobranças pelo WhatsApp.
A ferramenta envia mensagens sem necessidade de aprovação humana a cada contato e interpreta as respostas para identificar a intenção de pagamento. Segundo a Cora, o sistema já consegue recuperar mais de 20% dos valores cobrados.
A empresa também usa IA em processos internos. A internalização dos sistemas de Pix e boletos, combinada à automação do atendimento, reduziu pela metade o custo desse serviço em menos de um ano.
Além das cobranças, o aplicativo reúne recursos de fluxo de caixa e projeções de entradas e saídas. A proposta é ajudar o empreendedor a antecipar necessidades financeiras, em vez de acompanhar apenas o saldo disponível.
Contadores aproximam fintech das pequenas empresas
Os contadores passaram a ocupar uma posição central na estratégia comercial da Cora. A rede de parceiros reúne mais de 10 mil profissionais, entre escritórios contábeis, correspondentes bancários e consultores.
Clientes originados por esse ecossistema responderam por 7% da receita em 2024 e por 15% em 2025. Para 2026, a projeção é que representem aproximadamente 30% das novas receitas.
A fintech afirma gerar mais de 2 mil potenciais clientes por mês para os parceiros. Em contrapartida, os contadores indicam a conta empresarial e outras soluções da Cora aos negócios atendidos por seus escritórios.
Ferramentas como extrato automático e acesso específico para o contador também buscam reduzir o trabalho manual de conciliação e o envio de documentos entre empresas e profissionais contábeis.
“O objetivo é eliminar o atrito operacional e permitir que os contadores ocupem um papel mais estratégico ao lado de quem empreende”, afirma Senra.








