A Baseten, startup americana de infraestrutura para inteligência artificial, pode protagonizar um dos saltos mais rápidos de valuation do atual ciclo de venture capital. A companhia, avaliada em US$ 5 bilhões em fevereiro, negocia uma nova rodada que pode elevar seu valor de mercado para US$ 11 bilhões em cerca de 90 dias.
Segundo o The Information, a Baseten está em conversas avançadas para captar US$ 1 bilhão em uma rodada Série F. O movimento vem pouco depois de a empresa levantar US$ 300 milhões em sua Série E.
A tese da startup é atuar como uma plataforma especializada em inferência de IA, camada responsável por colocar modelos já treinados para funcionar em aplicações reais. Em termos simples, é a infraestrutura que permite que modelos de linguagem e outros sistemas de IA respondam usuários, processem dados e entreguem resultados em produção.
A aposta na inferência de IA
Grande parte da corrida recente em inteligência artificial ficou concentrada em treinamento de modelos, compra de GPUs e construção de grandes sistemas generativos. A Baseten está mirando outra parte da cadeia: o momento em que esses modelos precisam rodar com velocidade, estabilidade e escala para empresas.
Esse mercado cresce porque muitas companhias estão usando modelos open source para criar soluções próprias, mas não querem montar toda a infraestrutura do zero. A Baseten oferece uma camada para rodar esses modelos com menor latência, maior controle e capacidade de atender aplicações com usuários reais.
Entre os clientes citados pela empresa estão nomes como Notion, Cursor, Writer e HeyGen, companhias que já nasceram ou cresceram com produtos fortemente apoiados em IA.
Para essas empresas, falha de infraestrutura não é apenas um problema técnico. Pode afetar diretamente a experiência do usuário, o tempo de resposta do produto e a confiança no serviço.
Startup tenta ocupar espaço antes dos gigantes da nuvem
O avanço da Baseten chama atenção porque desafia uma expectativa comum do mercado: a de que empresas como AWS, Google Cloud, Microsoft Azure e Oracle naturalmente dominariam a inferência como uma extensão dos serviços de nuvem.
A nova rodada sugere que investidores enxergam espaço para uma infraestrutura mais especializada. Em vez de tratar inferência como commodity, o mercado começa a precificar essa camada como uma plataforma própria dentro da cadeia de IA.
A comparação mais direta feita pela própria tese da Baseten é com a AWS, mas voltada especificamente para inferência. A ideia é ser a infraestrutura por trás de empresas que precisam colocar modelos em produção sem lidar com toda a complexidade de otimização, escala e operação.
Nvidia acompanha o movimento
Outro sinal relevante está no captable. A Nvidia entrou como investidora na rodada Série E da Baseten e, segundo fontes citadas pelo The Information, pode participar novamente do novo aporte.
A presença da Nvidia mostra que a disputa em IA não se limita ao hardware. A empresa, que domina o mercado de chips usados no treinamento e execução de modelos, também observa de perto as camadas de software que tornam esse uso mais eficiente.
Para a Baseten, ter a Nvidia por perto ajuda a validar a tese de que a inferência será uma das áreas mais importantes da próxima fase da IA. A empresa trabalha com a previsão de que essa camada poderá representar dois terços da demanda de computação em IA até o fim de 2026.









