A Proz, rede de ensino técnico e profissionalizante controlada pela eB Capital, comprou a Resilia, edtech especializada em cursos rápidos de tecnologia e soluções para empresas. A operação marca o primeiro M&A da Proz desde sua criação, há seis anos, e abre uma nova frente de crescimento no mercado corporativo.
O valor da transação não foi divulgado. Com o negócio, a Resilia também dá saída à XP, que era uma das investidoras da edtech e não seguirá na nova estrutura.
A Proz está presente em oito estados, já formou 25 mil alunos desde 2020 e projeta faturar R$ 100 milhões em 2026. Com a integração da Resilia, a meta é triplicar a receita em dois anos, apoiada em cursos de curta duração, tecnologia e maior proximidade com empresas que buscam mão de obra qualificada.
“A Resilia traz este olhar de profissionalização em tecnologia, principalmente em inteligência artificial. E também esta conexão direta com as empresas, a partir de cursos mais vocacionados. Essas são as camadas que faltavam para a gente”, afirma Daniel Pedrino, CEO da Proz.
Compra leva a Proz para cursos mais rápidos e empresas
A Proz construiu sua operação principalmente em cursos técnicos presenciais, com duração entre dois anos e dois anos e meio. A formação em saúde tem peso relevante no portfólio, especialmente em cursos de técnico de enfermagem, área com alta demanda por profissionais.
A Resilia atua em outro formato. Criada em 2019, a edtech oferece cursos não regulados, com duração de três a seis meses, voltados para competências específicas de tecnologia e para necessidades de empresas.
Essa diferença explica a lógica da aquisição. A Proz ganha uma porta de entrada para cursos mais curtos, com foco em requalificação, inteligência artificial e treinamento corporativo. A Resilia, por sua vez, passa a fazer parte de uma estrutura maior, com capilaridade e base de alunos mais ampla.
Segundo Pedrino, as operações são complementares e não devem disputar o mesmo público. A ideia é criar jornadas de formação mais flexíveis, em que o aluno possa fazer um curso técnico e depois se aperfeiçoar em áreas específicas.
Ensino técnico vira aposta de impacto e negócio
A tese da Proz está apoiada em uma lacuna histórica do mercado brasileiro: a formação profissional. Para Pedrino, o ensino técnico ainda é uma fronteira importante para aumentar renda, empregabilidade e produtividade no país.
“A nossa tese é que o ensino técnico é realmente a única fronteira que falta para transformar a sociedade no Brasil”, afirma.
Dados do Censo do Ministério da Educação citados pela empresa mostram que o Brasil tem 3,2 milhões de alunos no ensino técnico e profissionalizante atrelado ao ensino médio. Desse total, cerca de 1 milhão está na iniciativa privada, enquanto 2,2 milhões estão ligados ao setor público.
A Proz vê espaço de crescimento também na relação com governos. Parte das vagas públicas é terceirizada para operadores privados, já que o poder público não consegue executar toda a oferta sozinho.
Propag pode abrir nova avenida de crescimento
Um dos pontos observados pela Proz é o Propag, Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, que entra em vigor em 2027. O programa foi criado para ajudar estados a renegociar dívidas com a União, mas uma das contrapartidas é elevar investimentos em cursos técnicos.
Segundo Pedrino, a adesão dos estados ao programa deve ampliar o volume de vagas em pelo menos 700 mil. Com novos editais sendo abertos, a Proz enxerga uma oportunidade para crescer como parceira na execução de cursos profissionalizantes.









