A sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, sediou um encontro estratégico para detalhar as diretrizes do programa BNDES Periferias Mulheres. O evento reuniu figuras centrais do governo federal, como a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a secretária Nacional de Política de Cuidados do MDS, Laís Abramo, e a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. A iniciativa busca democratizar o acesso de organizações da sociedade civil a recursos voltados à inclusão produtiva e ao fortalecimento da autonomia feminina em territórios vulneráveis.
A oficina técnica serviu como uma plataforma de orientação para instituições interessadas em participar da chamada pública, que permanece com inscrições abertas até o dia 12 de junho de 2026. Durante a atividade, foram esclarecidas dúvidas sobre a elaboração de propostas e os critérios de seleção, reforçando o compromisso do Banco em ampliar o alcance de seus projetos nas periferias urbanas. O foco central é garantir que as organizações locais possuam as ferramentas necessárias para disputar os recursos e implementar transformações efetivas em suas comunidades.
Tereza Campello destacou o caráter inovador da iniciativa, assinalando que esta é a primeira vez que o BNDES direciona esforços específicos para a chamada “economia do cuidado”. Segundo a diretora, o objetivo é consolidar os territórios periféricos como polos de geração de renda e oportunidades, especialmente para o público jovem. A estratégia une o fomento ao empreendedorismo tradicional com o suporte a serviços essenciais que sustentam a vida comunitária, promovendo o empoderamento das mulheres como gestoras de seus próprios negócios.
A ministra Márcia Lopes reforçou que o projeto visa conferir dignidade e profissionalismo ao trabalho feminino, combatendo a precarização histórica enfrentada por essas profissionais. Ao associar política de cuidado e empreendedorismo, o programa pretende qualificar os processos e fluxos de trabalho nas periferias, permitindo que as mulheres disputem espaço na economia local de forma plena. A ideia é transformar o perfil dessas trabalhadoras, elevando-as ao status de agentes fundamentais para o desenvolvimento territorial e a inclusão social.
Complementando a visão social, Laís Abramo ressaltou que a iniciativa está alinhada à recém-instituída Política Nacional de Cuidados (Lei 15.069/2024). A secretária enfatizou que mulheres negras das periferias carregam a maior carga de trabalho doméstico e de cuidados, muitas vezes sem a devida remuneração ou apoio. Promover a qualificação profissional e criar redes de serviços que aliviem esse fardo é considerado um passo essencial para a redução da pobreza e a promoção da igualdade racial e de gênero no Brasil.
O BNDES Periferias Mulheres conta com um orçamento de até R$ 80 milhões, dividido entre as frentes de Empreendedorismo e Economia do Cuidado. Os projetos selecionados poderão receber apoio para diagnósticos de mercado, capacitações técnicas e gestão, além de mentorias e aporte de capital semente. Na modalidade empreendedora, o edital exige que as propostas atendam exclusivamente negócios liderados por mulheres ou sejam apresentadas por instituições com gestão majoritariamente feminina, assegurando que o impacto permaneça dentro da rede de protagonismo das comunidades urbanas.









