BNDES corta participação acionária em Petrobras e Axia Energia, apontam fontes

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reduziu sua participação na Petrobras e na Axia Energia neste mês, vendendo ações de ambas as companhias em operações que somam cerca de R$ 3,5 bilhões, segundo quatro fontes ouvidas pela Reuters sob condição de anonimato. As transações fazem parte de uma estratégia mais ampla de desinvestimento em empresas consolidadas para realocar recursos em setores considerados estratégicos pelo banco.

De acordo com uma das fontes, o braço de participações do BNDES, o BNDESPar, vendeu aproximadamente R$ 3 bilhões em ações da Petrobras e mais de R$ 500 milhões em papéis da Axia Energia. No caso da Petrobras, as ações negociadas não conferem direito a voto, o que significa que a operação não altera a influência do banco na estratégia ou no planejamento da estatal. “São ações negociadas a preços elevados, e o banco viu uma oportunidade de obter lucros com as vendas”, afirmou uma fonte do BNDES.

O movimento envolveu ainda a Copel, empresa de serviços públicos de energia elétrica. Segundo as fontes, o BNDESPar desinvestiu R$ 280 milhões em ações da companhia paranaense em maio, elevando o total de vendas de papéis da Copel para R$ 1,2 bilhão no acumulado do ano — o que indica uma saída mais sistemática do banco dessa posição ao longo de 2026.

Em comunicado, o BNDES afirmou avaliar continuamente as oportunidades de investimento e desinvestimento em seu portfólio, mas não confirmou as transações. A Petrobras disse não comentar negociações em andamento, enquanto a Axia recusou o pedido de comentário da Reuters.

A postura do banco contrasta, ao menos em parte, com declarações anteriores de sua liderança. Em setembro do ano passado, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, havia afirmado que o banco adotara uma estratégia de desinvestimento em empresas consolidadas e setores tradicionais para direcionar recursos a setores estratégicos — mas disse na ocasião que não pretendia vender sua participação na Petrobras. A venda de ações sem direito a voto da estatal pode ser interpretada como uma forma de conciliar a realização de lucros com a manutenção da influência estratégica do banco na companhia.

Em paralelo aos desinvestimentos, o BNDESPar também tem ampliado posições em outros segmentos. Em março, o banco atuou como investidor âncora em um aumento de capital de empresas do grupo Simpar, incluindo a locadora de caminhões Vamos, a locadora de veículos Movida e a empresa de logística JSL — setores alinhados à agenda de infraestrutura e mobilidade que o BNDES tem priorizado em sua estratégia de alocação de capital.

O conjunto das operações revela um BNDES em movimento de rotação de portfólio: reduzindo exposição a empresas de grande porte e setores maduros onde os papéis estão valorizados, e redirecionando recursos para companhias em crescimento e segmentos considerados prioritários para o desenvolvimento econômico do país.

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