BNDES tem lucro líquido recorrente de R$ 3,1 bilhões no 1º trimestre

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou um lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, montante que representa uma expansão de 17% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, o resultado atingiu a marca histórica de R$ 15,6 bilhões, consolidando o maior valor anualizado da trajetória da instituição de fomento. Os dados, apresentados pela diretoria em São Paulo, reforçam a fase de crescimento acelerado do banco sob a atual gestão.

O balanço aponta que os ativos totais do BNDES aproximam-se da marca simbólica de R$ 1 trilhão, encerrando março em R$ 995 bilhões — o maior valor nominal da história da instituição. A carteira de crédito também seguiu em ritmo de ascensão, atingindo R$ 678,2 bilhões, o patamar mais elevado desde 2016. O presidente do banco, Aloisio Mercadante, destacou que esse avanço de 14% na carteira em relação a 2025 ocorre com foco na qualidade dos ativos, mantendo indicadores de solidez financeira acima da média do mercado.

A atividade operacional do banco mostrou vigor em todas as etapas, com as aprovações de crédito somando R$ 45,7 bilhões no trimestre, uma alta de 37% na base anual. Os desembolsos acompanharam a tendência, totalizando R$ 36,2 bilhões, com destaque para os investimentos nos setores de indústria, infraestrutura e agropecuária, que registraram crescimentos de 67%, 51% e 40%, respectivamente. Além disso, as consultas para novos financiamentos saltaram 65%, sinalizando que a demanda por investimentos produtivos permanece aquecida para o restante do ano.

O apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) foi um dos pilares do resultado, com aprovações de crédito que somaram R$ 29 bilhões, um salto de 120% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

O volume total de apoio a esse segmento, incluindo garantias prestadas por fundos garantidores, alcançou R$ 49,8 bilhões. Essa estratégia de pulverização do crédito visa fortalecer a base empresarial brasileira e fomentar a geração de empregos, utilizando o braço financeiro do banco para mitigar riscos de crédito em operações junto a agentes parceiros.

A saúde financeira da instituição é evidenciada por uma taxa de inadimplência de apenas 0,046% para atrasos superiores a 90 dias, nível significativamente inferior aos 4,33% registrados pela média do Sistema Financeiro Nacional.

O patrimônio líquido do banco atingiu R$ 192 bilhões, impulsionado tanto pelo lucro líquido quanto pela valorização de R$ 15,8 bilhões na carteira de ativos a valor de mercado. Mesmo com o crescimento dos ativos ponderados pelo risco, o Índice de Basileia encerrou em 24,1%, garantindo uma margem de segurança confortável em relação às exigências do Banco Central.

Por fim, o diretor financeiro Alexandre Abreu ressaltou a gestão eficiente da carteira de participações societárias, que fechou o trimestre avaliada em R$ 110,3 bilhões. A estratégia de manter papéis de empresas sólidas em vez de realizar vendas a preços desfavoráveis resultou em um retorno de R$ 75 bilhões desde 2022, entre dividendos e valorização. Com um caixa livre de R$ 59 bilhões — volume 20 vezes superior ao mínimo regulatório —, o BNDES reafirma sua capacidade de continuar financiando a inovação e o desenvolvimento sustentável do país nos próximos ciclos econômicos.

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