O Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, revelou um cenário de relativa estabilidade para as projeções macroeconômicas do ano de 2026, com poucas alterações em relação à leitura da semana anterior. O mercado financeiro optou por consolidar suas estimativas para as principais variáveis estruturais — como inflação, juros e câmbio —, promovendo ajustes marginais apenas nas expectativas de crescimento da atividade econômica e nos horizontes mais longos da pesquisa.
O Produto Interno Bruto (PIB) projetado para 2026 foi o único indicador de curto prazo a registrar variação positiva, sendo elevado de forma sutil para 1,99%, consolidando um movimento de alta gradual observado ao longo das últimas quatro semanas. Em contrapartida, o otimismo com a atividade econômica não se estendeu para o ano seguinte: a estimativa do PIB para 2027 sofreu um ajuste negativo, recuando de 1,70% para 1,68%, enquanto as projeções de longo prazo para 2028 e 2029 permaneceram ancoradas em 2,00% de crescimento anual.
No front dos preços, o Focus indicou que a inflação de curto prazo segue pressionada, porém estacionada em um patamar elevado. A estimativa para o IPCA de 2026 foi mantida em 5,33%, refletindo o estresse acumulado em relação a um mês atrás, quando a projeção se situava em 5,09%. O dado que ligou o sinal de alerta no mercado foi o IPCA para 2027, que avançou de 4,15% para 4,17%, marcando a sua sexta semana consecutiva de revisão altista. Para 2028, a projeção segue estável em 3,70%.
A tendência de aceleração nos horizontes mais longos também contaminou os demais índices de preços monitorados pelo Banco Central. O IGP-M para 2026 ficou em 6,15%, mas a estimativa para 2027 subiu para 4,10% (terceira alta semanal seguida). Os preços administrados — que englobam tarifas públicas como energia e combustíveis — mantiveram-se em 5,00% para este ano, mas registraram oscilação para cima no indicador de 2027, migrando para 3,86%.
A percepção de uma inflação persistentemente acima do teto da meta tem forçado o mercado a projetar a manutenção de uma postura monetária amplamente contracionista por parte do Comitê de Política Monetária (Copom).
A projeção para a taxa básica de juros (Selic) ao encerramento de 2026 permaneceu fixada em 14,00% ao ano, indicando que os economistas não enxergam espaço para cortes de juros no curto prazo. Para 2027, a taxa esperada continuou em 12,00%, enquanto a estimativa para 2028 sofreu um ajuste altista, subindo para 10,50% ao ano. Para 2029, os analistas preveem a taxa terminal em 10,00%.
Acompanhando o ambiente de juros elevados e prêmios de risco contratados, o mercado de moedas manteve a projeção do câmbio para 2026 inalterada em R$ 5,20 por dólar. Contudo, a trajetória futura da moeda norte-americana no Brasil foi revisada para cima nos anos subsequentes: a cotação esperada para o fechamento de 2027 avançou de R$ 5,27 para R$ 5,28, e a estimativa para 2028 subiu para R$ 5,35. Para o ano de 2029, a mediana das expectativas do mercado para o dólar permaneceu ancorada em R$ 5,40.









