A visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Seul, nesta segunda-feira (23), marcou um novo capítulo nas relações diplomáticas entre Brasil e Coreia do Sul. Em reunião de cúpula com o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, os mandatários selaram o compromisso de elevar a relação bilateral ao patamar de parceria estratégica.
O encontro, que ocorre 21 anos após a última visita oficial de um presidente brasileiro ao país, resultou na assinatura de dez memorandos de entendimento (MoUs) que abrangem desde a exploração de minerais críticos até a cooperação em inteligência artificial e segurança cibernética.
O pilar econômico dominou a agenda, com destaque para a celebração de um acordo-quadro de integração comercial e produtiva. Lula enfatizou que o Brasil já é o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina e que o novo dispositivo visa desburocratizar o comércio e oferecer maior segurança jurídica às empresas.
Além da indústria de tecnologia e defesa, os líderes discutiram a retomada das negociações entre o Mercosul e a Coreia do Sul, paralisadas desde 2021, e o avanço nos protocolos sanitários para a exportação de carne brasileira ao mercado coreano.
A convergência política entre os dois líderes foi reforçada por uma forte identificação pessoal. Em mensagem publicada nas redes sociais, o presidente Lee Jae-myung destacou as origens humildes de ambos, lembrando que tanto ele quanto Lula foram trabalhadores infantis em fábricas e sofreram acidentes de trabalho na juventude. “Você provou com toda a sua vida que a democracia é a ferramenta mais poderosa para o progresso social e econômico”, afirmou Lee, consolidando um vínculo que já vinha sendo construído em fóruns internacionais como o G7 e o G20.

No setor de recursos estratégicos, o Brasil apresentou seu potencial como fornecedor global de terras raras e níquel, buscando atrair capital sul-coreano para o beneficiamento desses minerais em solo brasileiro. Para operacionalizar essas intenções, os governos adotaram um plano de ação de quatro anos, que estabelece metas concretas de cooperação em áreas de ponta, incluindo a indústria espacial e a segurança alimentar. O intercâmbio comercial entre as duas nações, que atualmente movimenta cerca de US$ 11 bilhões, deve ganhar novo fôlego com a harmonização regulatória prometida pela cúpula.









