Pesquisadores e moradores registraram uma mortandade massiva de ovas de peixes na Volta Grande do Rio Xingu, no Pará. Imagens mostram milhares de ovos espalhados pelo solo após a água recuar rapidamente, o que comprometeu a sobrevivência das espécies.
A área afetada concentra importantes pontos de desova durante a piracema. Moradores associam o fenômeno às mudanças no regime de vazão do rio.
Operação altera dinâmica natural do rio
A usina de Belo Monte desvia grande parte do fluxo do Xingu para geração de energia. Com isso, o trecho da Volta Grande recebe volume reduzido de água, o que modifica o ciclo natural de cheias e vazantes.
Durante o período chuvoso, igarapés enchem rapidamente e estimulam a desova. No entanto, quando o nível do rio cai em pouco tempo, as ovas ficam expostas ao ar. Esse processo provoca a morte em massa antes do desenvolvimento dos peixes.
Impactos ambientais e sociais
Especialistas alertam que a repetição do fenômeno pode comprometer a reposição natural de espécies. A redução na taxa de sobrevivência afeta diretamente o equilíbrio ecológico e a segurança alimentar das comunidades ribeirinhas.
A pesca artesanal sustenta parte significativa da economia local. Portanto, a queda na reprodução de peixes tende a gerar reflexos sociais e econômicos nos próximos anos.
Empresa e órgãos acompanham o caso
A concessionária responsável informou que acompanha a situação e realiza análises técnicas. Equipes também coletaram informações para encaminhar aos órgãos ambientais.
O Ibama e representantes do Ministério Público Federal estiveram na região para vistoria. As autoridades avaliam os dados antes de divulgar conclusões.









