A Braskem (BRKM5) confirmou, em esclarecimento prestado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que mantém tratativas ativas com credores financeiros para uma potencial reestruturação de sua estrutura de capital. A petroquímica ressaltou, contudo, que os termos recebidos até o momento têm caráter meramente indicativo e não vinculante, permanecendo em fase de avaliação técnica pela diretoria.
A manifestação da companhia ocorreu após reportagem do jornal Valor Econômico revelar a apresentação de novos parâmetros por grupos de credores — que incluem detentores de títulos no exterior (bondholders) — para o equacionamento de um passivo estimado em R$ 50 bilhões. O mercado financeiro reage positivamente ao avanço formal das negociações: por volta das 11h18 desta quarta-feira (22), os papéis preferenciais da empresa (BRKM5) registravam forte alta de 6,30%, negociados a R$ 6,07 na B3.
Segundo apuração veiculada pela imprensa e confirmada em linhas gerais nos questionamentos do regulador, as alternativas desenhadas pelos credores envolvem duas frentes principais de negociação:
- Estruturação de Novo Crédito (DIP) e Conversão: Uma das alternativas prevê o aporte de novos recursos via financiamento na modalidade Debtor-in-Possession (DIP), prevendo a conversão do passivo em participação acionária (equity) caso o empréstimo não seja liquidado — cenário que acarretaria expressiva diluição dos atuais controladores.
- Alongamento com Garantias Reais: A segunda opção contempla o reescalonamento nos prazos de vencimento dos bonds, mantendo as taxas de juros vigentes, porém exigindo a alienação e vinculação de ativos operacionais da petroquímica como garantia real.
Em comunicado assinado pelo Diretor Financeiro e de RI, Carlos Augusto Brandão, a Braskem sinalizou que propostas que imponham diluição agressiva aos acionistas ou perda de controle operacional são consideradas distantes do patamar aceitável, mantendo a mesa de negociação aberta em busca de um consenso sustentável.
Contexto Operacional e Próximos Passos
O processo de reestruturação ganha tração após a Justiça de São Paulo ter concedido à Braskem, no final de junho, uma medida cautelar que suspendeu por 60 dias execuções e constrições por parte de credores financeiros. A trégua judicial visa garantir estabilidade operacional e ambiente seguro para a repactuação do passivo.
A companhia enfrenta desafios decorrentes da queima de caixa e da compressão nos spreads petroquímicos globais, agravados pelo encarecimento da nafta e pelos expressivos compromissos financeiros previstos para o curto prazo. A busca por um plano definitivo de reestruturação — seja via acordo extrajudicial ou repactuação direta — permanece como condição central para restabelecer a liquidez e a previsibilidade do balanço da maior petroquímica da América Latina.
