O BTG Pactual consolidou sua posição de liderança na disputa pelo banco Digimais ao fechar um acordo para a aquisição da instituição financeira, que pertence ao bispo Edir Macedo. Segundo informações obtidas pela Reuters nesta quarta-feira, a transação foi confirmada por fontes próximas à negociação, embora o valor oficial da operação ainda não tenha sido divulgado. O movimento marca mais um passo na estratégia de expansão do BTG Pactual no varejo bancário e no mercado de crédito especializado.
Até o momento, o BTG Pactual é a única instituição financeira a manifestar interesse formal no ativo, o que o isola como o favorito absoluto para assumir o controle das operações. O interesse recai principalmente sobre as carteiras de crédito do Digimais, que possuem uma base de clientes pulverizada e podem agregar valor à plataforma digital do banco de André Esteves. A ausência de outros concorrentes no processo simplifica as etapas burocráticas da transferência de controle.
O processo de venda está sendo acompanhado de perto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que atua na organização da liquidação de ativos e passivos de instituições em reestruturação. A expectativa do mercado é que o edital para o leilão oficial seja convocado pelo FGC nos próximos meses, servindo como a etapa final para a formalização da transferência. Analistas apontam que a operação deve ocorrer sem grandes entraves regulatórios, dada a solidez do banco comprador.
A venda do Digimais pelo grupo liderado por Edir Macedo sinaliza um movimento de desinvestimento do setor bancário por parte do conglomerado, que deve concentrar esforços em outras áreas de atuação. Para o Digimais, a incorporação por um player do porte do BTG Pactual representa uma oportunidade de saneamento financeiro e continuidade dos serviços prestados aos seus correntistas sob uma gestão com maior fôlego de capital.
No mercado financeiro, a notícia foi recebida como um movimento estratégico positivo para o BTG, que segue aproveitando oportunidades de consolidação no setor. Com a aquisição, o banco não apenas amplia sua base de ativos sob gestão, mas também reforça sua capacidade de originar novos empréstimos em segmentos onde o Digimais já possuía penetração, especialmente no financiamento de veículos e crédito consignado.
De acordo com as estatísticas do Banco Central, o Digimais encerrou o terceiro trimestre de 2025 com ativos totais somando R$ 9,297 bilhões. O patrimônio líquido da instituição, por sua vez, foi registrado em R$ 420 milhões até setembro do ano passado. Esses indicadores são fundamentais para a precificação da oferta do BTG, servindo como base para a avaliação da solvência e da capacidade de geração de valor do banco fundado pelo grupo de Edir Macedo.
No que tange à composição de seus ativos, a carteira de crédito é um dos principais pontos de interesse para o comprador. Até o último balanço trimestral disponível, o portfólio de empréstimos do banco digital totalizava R$ 1,884 bilhão. Este segmento é composto majoritariamente por operações de varejo e financiamentos, que devem ser integrados à plataforma de crédito do BTG Pactual para otimizar a rentabilidade e a originação de novos negócios.
Além do crédito direto, o Digimais mantinha uma posição relevante em títulos e valores mobiliários, que somavam R$ 2,285 bilhões em setembro de 2025. Essa reserva de liquidez e investimentos em papéis financeiros oferece uma camada adicional de garantia e flexibilidade para a gestão do fluxo de caixa durante o processo de transição. A diversificação desses ativos é vista como um fator que confere maior segurança à operação de aquisição sob a supervisão do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
