O calor extremo deixou de ser apenas um fenômeno climático e passou a representar uma ameaça direta ao agronegócio global. Segundo relatório da FAO e da OMM, o aumento das temperaturas já impacta lavouras, rebanhos e a produtividade no campo.
Além disso, o fenômeno atua como um fator que agrava fragilidades existentes. Ele intensifica problemas como seca, incêndios, escassez de água, pragas e doenças, o que amplia a vulnerabilidade dos sistemas agrícolas.
Na prática, culturas agrícolas começam a perder rendimento quando as temperaturas ultrapassam 30°C. Ao mesmo tempo, o estresse térmico afeta rebanhos a partir de 25°C, reduzindo desempenho e produtividade.
Como consequência, a produção global já apresenta perdas relevantes. Em média, a produtividade cai 7,5% no milho, 6% no trigo e 6,8% na soja a cada aumento de 1°C na temperatura.
Pecuária concentra perdas e riscos econômicos crescentes
Na pecuária, os impactos são ainda mais diretos e financeiros. Em um cenário de altas emissões, quase metade do rebanho bovino mundial pode ser exposta a calor perigoso até o fim do século. Como resultado, as perdas anuais podem chegar a US$ 40 bilhões na produção de carne e leite.
Além disso, cerca de 80% do rebanho global já enfrenta pelo menos 30 dias por ano sob condições de estresse térmico. Esse cenário reduz a ingestão de alimentos pelos animais e diminui a produtividade.
Ao mesmo tempo, o impacto não se limita aos animais. O calor extremo também altera o uso da terra e aumenta emissões, o que reforça o ciclo de pressão sobre o setor. Entre 1992 e 2020, a expansão agropecuária adicionou 88 milhões de hectares, com emissões significativas associadas.
No Brasil, os efeitos já são visíveis. A produção de soja, por exemplo, sofreu redução próxima de 10% em safras recentes devido a eventos climáticos extremos. Além disso, perdas agrícolas e danos a pastagens foram registrados em diferentes regiões do país.
Diante desse cenário, especialistas defendem a adoção de estratégias de adaptação. Entre elas estão o desenvolvimento de cultivares mais resistentes, ajustes no manejo e ampliação de sistemas de alerta climático. Ainda assim, o relatório alerta que há limites para adaptação sem redução das emissões globais.








