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Home Agronegócio

Canola ganha espaço e avança como cultivo estratégico no Brasil

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
16/03/2026
em Agronegócio
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O cultivo de canola vem ganhando cada vez mais atenção no Brasil e avança como uma alternativa promissora para diversificar a renda do produtor e fortalecer os sistemas de produção no campo. Tradicionalmente cultivada em países de clima temperado, a cultura tem avançado principalmente na região Sul do país, onde encontra condições climáticas favoráveis e se encaixa bem na janela de inverno, após a colheita de culturas como soja e milho.

Atualmente, cerca de 90% da área plantada com canola no Brasil está concentrada no Rio Grande do Sul, estado que possui tradição nas culturas de inverno. A semeadura ocorre geralmente entre março e maio, funcionando como uma excelente opção para o agricultor.

Segundo o engenheiro agrônomo, José Geraldo Mendes, responsável pela área de supply chain da Advanta Seeds, a cultura tem despertado interesse justamente por combinar potencial econômico com benefícios agronômicos. “A canola entra como uma opção de rotação, ajudando a quebrar o ciclo de pragas, doenças, plantas daninhas e contribuindo para melhorar a estrutura do solo. Ela agrega valor ao sistema produtivo”, destaca o especialista.

Os números recentes do mercado confirmam o avanço da cultura. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 2025 o cultivo ocupou 211,8 mil hectares no Brasil, um crescimento de 43% em relação a 2024, quando foram semeados 147,9 mil hectares.

Quase toda essa área está concentrada no Rio Grande do Sul, com 209,9 mil hectares, enquanto o restante está no Paraná. Para a produção nacional, a estimativa é de 300 mil toneladas em 2026, volume 58% superior ao registrado no ano anterior, quando o país produziu cerca de 195 mil toneladas. “A expectativa para a safra 2026 é passarmos de 300 mil hectares de área cultivada”, projeta Mendes.

Além do Sul, também surgem iniciativas de produção em outras regiões, como no entorno de Brasília, que reúne condições de clima, solo e altitude para desenvolvimento dessa cultura.

O interesse pela canola também está ligado ao crescimento da demanda global por seus derivados. O óleo de canola é amplamente utilizado na alimentação humana e considerado um dos mais saudáveis do mercado. Já o farelo, subproduto do processamento, é utilizado como fonte de proteína na alimentação animal, principalmente para equinos, bovinos e pets.

Outro fator que pode impulsionar ainda mais a cultura é o avanço dos biocombustíveis. O óleo de canola é uma matéria-prima importante para a produção de biodiesel e vem ganhando espaço em estudos para uso no combustível sustentável de aviação (SAF), considerado uma alternativa estratégica para reduzir as emissões do setor aéreo. “Se esse movimento avançar, teremos uma demanda ainda maior. Isso traz mais liquidez para o mercado e acaba incentivando o produtor a ampliar o plantio e investir na cultura”, explica o engenheiro agrônomo.

Apesar do potencial, o avanço da canola ainda depende do fortalecimento da cadeia produtiva. Para o especialista, é fundamental que haja alinhamento entre produtores, empresas de sementes, indústria e compradores. Outro ponto considerado essencial é a ampliação do conhecimento técnico sobre a cultura e o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. “É importante ter um mercado bem estruturado, com compradores definidos e oferta consistente ao longo do tempo”, diz.

Fator primordial, também é o acesso do agricultor a sementes de qualidade e tecnologias adequadas, para que consiga alcançar boa produtividade e consolidar o sistema. Nesse cenário, empresas do setor vêm intensificando os investimentos em genética e adaptação da cultura às condições brasileiras. A Advanta, por exemplo, atua no fornecimento de sementes híbridas de alto potencial produtivo e participa de iniciativas voltadas à chamada “tropicalização” da canola, projeto para expansão de uso do cultivo no ambiente de Cerrado.

A empresa mantém parcerias de pesquisa para desenvolver materiais mais adaptados ao clima brasileiro: “Hoje já temos híbridos disponíveis, oriundos de programas de melhoramento da Austrália, que apresentam excelente adaptação. Também iniciamos a produção no Brasil de sementes de canola, outro marco importante. A ideia é que o país se torne um polo de produção e, no futuro, exporte sementes para mercados como Paraguai, Uruguai, Argentina, África do Sul e Cazaquistão”, finaliza o especialista.

Tags: AgronegócioCanolaInvestimentosMercadoNegócios
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