Coca-Cola projeta crescimento mais fraco da receita em 2026

A Coca-Cola Company enfrenta um cenário de cautela para o ano de 2026 após divulgar resultados do quarto trimestre que ficaram abaixo das expectativas de receita. O anúncio, realizado nesta terça-feira (10), revelou que a queda na demanda por refrigerantes na América do Norte e na Ásia pressionou as finanças da gigante de bebidas, fazendo com que suas ações recuassem quase 4% nas negociações pré-mercado. Para o próximo ano, a companhia projeta um crescimento orgânico de receita entre 4% e 5%, uma estimativa considerada conservadora por analistas de Wall Street.

O desempenho reflete o impacto direto da inflação no comportamento do consumidor. Para mitigar os altos custos de produção, a Coca-Cola vinha implementando sucessivos aumentos de preços — uma alta de 4% no acumulado do ano —, o que acabou empurrando parte do público para opções mais acessíveis.

O desafio ocorre em um momento de transição de liderança, com o veterano Henrique Braun prestes a assumir o cargo de CEO em 31 de março. A rival PepsiCo já reagiu a esse movimento de retração anunciando cortes de preços em marcas populares, como Lay’s e Doritos, para reconquistar o mercado.

Apesar da estabilidade no volume de vendas, a estratégia da Coca-Cola tem se voltado para a diversificação de portfólio para atender a novas tendências de saúde.

A empresa tem registrado crescimento em refrigerantes sem açúcar, chás e bebidas esportivas, além de investir no leite Fairlife, rico em proteínas. Esse movimento busca capturar o interesse de consumidores americanos que estão migrando para dietas com baixo teor de açúcar, influenciados inclusive pela maior adoção de medicamentos para perda de peso que suprimem o apetite.

No plano global, a situação na região Ásia-Pacífico também exige atenção, com o volume de vendas estagnado devido à forte concorrência de marcas regionais.

No balanço financeiro do quarto trimestre, a receita totalizou US$ 11,82 bilhões, ligeiramente abaixo dos US$ 12,03 bilhões esperados pelo mercado. Contudo, o lucro ajustado por ação superou as previsões, atingindo 58 centavos de dólar. Para o fechamento de 2026, a empresa espera que o lucro anual por ação cresça entre 7% e 8%, mantendo o otimismo moderado diante de um ambiente macroeconômico ainda desafiador.

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