A colheita da segunda safra de milho — o milho safrinha — na região Centro-Sul do Brasil manteve forte tração operacional e alcançou 30% da área total plantada até a última quinta-feira. O dado foi divulgado nesta segunda-feira (6) por meio do boletim semanal de acompanhamento de safra da consultoria AgRural. O indicador demonstra um avanço consistente frente aos 22% reportados na semana imediatamente anterior e supera o ritmo registrado no mesmo período do ano passado, quando a colheita atingia 28% das lavouras.
De acordo com o levantamento técnico, os trabalhos de campo conseguiram ganhar maior velocidade e ritmo de máquinas, de forma concentrada, nos estados de Mato Grosso e de Goiás. A aceleração foi favorecida pelo recuo expressivo do volume de precipitações nos últimos dias. Apesar do avanço em área, a consultoria fez um alerta aos produtores e tradings ao apontar que “ainda há problemas de qualidade causados pela umidade” nos lotes já colhidos nessas regiões.
A mudança no padrão climático das principais fronteiras agrícolas do país gerou impactos distintos no andamento da colheita a depender do estado avaliado. O tempo seco permitiu a entrada das colheitadeiras nas áreas maduras, embora o excesso de chuva acumulado nas semanas anteriores ainda exerça efeitos pontuais na depreciação qualitativa do cereal.
A trégua recente das chuvas foi considerada benéfica pela consultoria para a perda natural de água nas plantas. No entanto, o nível de umidade retido nos grãos ainda se encontra em patamares muito elevados nas lavouras, o que atua como um fator limitador para o avanço dos maquinários, já que os produtores evitam custos extras de secagem artificial.
A evolução nos próximos dias continuará dependente da estabilidade climática para que os grãos percam umidade no campo, consolidando o abastecimento das indústrias de ração, usinas de etanol de milho e os corredores de exportação do país.
