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Home Agronegócio

Com safra recorde de soja, mercado volta atenção ao volume ainda nas mãos dos produtores

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
17/03/2026
em Agronegócio
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Com a colheita avançando, a atenção do mercado se volta para a quantidade de soja que ainda permanece nas mãos dos produtores e para o momento ideal de comercialização. Entender quanto produto sobra para vender e quando colocá-lo no mercado é fundamental para avaliar preços, prêmios e oportunidades de lucro ao longo dos próximos meses, especialmente em um cenário marcado por tensões geopolíticas.

“Embora a safra brasileira de soja de 2026 seja estimada em expressivas 177 milhões de toneladas, reforçando a percepção de oferta abundante, o foco do mercado está na disponibilidade real para venda. Produção elevada não significa oferta imediata: entre a colheita e a comercialização, o fator determinante é o comportamento do produtor. Nossos dados demonstram que uma parcela significativa da safra ainda permanece fora do mercado”, explica Felipe Jordy, gerente de inteligência e estratégia da Biond Agro.

No Mato Grosso, maior estado produtor do país, as vendas da safra atual estão em 55%, enquanto a média para o mesmo período é de 60%, no PR temos 26% contra 38% e no Goiás 43% contra 50% de média. Isso ocorre em quase todas as regiões produtoras, mostrando que os agricultores entraram mais cautelosos na colheita. E muitos são os motivos, como: pela volatilidade de Chicago; expectativas de melhora cambial; altos custos de produção; e a perspectiva de janelas de preço mais favoráveis ao longo do ano. O efeito disso resulta que grande parte da soja ainda permanece nas mãos dos produtores, mantendo a oferta imediata limitada. 

“Enquanto os produtores mantêm ritmo cauteloso de venda, a exportação de soja começa a acelerar, com cerca de 28 milhões de toneladas já embarcadas ou programadas, acima do registrado nas últimas duas temporadas. Esse movimento marca o início das janelas clássicas de comercialização: à medida que a demanda por transporte aumenta e o fluxo logístico se intensifica, o frete se torna fator decisivo na formação do preço, influenciando diretamente o valor líquido recebido pelo produtor, que muitas vezes não reflete totalmente a valorização do mercado portuário”, destaca Jordy.

O valor da soja é influenciado por diversos fatores interligados. As tensões no Oriente Médio e com o Irã elevaram o preço do petróleo e os custos de transporte, aumentando a volatilidade logística e tornando o frete um dos elementos mais decisivos na formação do preço, já que o valor líquido na fazenda passa a ser o indicador real para o produtor. Além disso, movimentos geopolíticos combinados com variações do dólar e de Chicago podem impulsionar temporariamente os preços da soja, criando janelas de oportunidade que devem ser aproveitadas pontualmente, sem, contudo, alterar a tendência ou a sazonalidade da safra.

O mercado de soja segue atento à relação comercial entre Estados Unidos e China, mas a expectativa de um encontro entre os dois países no fim de março perdeu força diante do avanço das tensões geopolíticas recentes. Sem um gatilho político claro no curto prazo, parte do suporte que vinha sustentando Chicago começa a se dissipar.

A possibilidade de ampliação das compras chinesas de soja americana foi um dos fatores que ajudaram a sustentar os preços nas últimas semanas. No entanto, sem avanços concretos nesse fluxo, e com a China mantendo preferência pela soja brasileira neste momento, o mercado passa por um ajuste de expectativas.

No Brasil, o cenário segue pressionado pela entrada de safra e pelo ritmo ainda lento de comercialização, com cerca de 42% da produção negociada. Esse contexto mantém pressão sobre prêmios e bases, limitando o repasse de altas em Chicago para o mercado físico.

“No curto prazo, o comportamento do produtor brasileiro será determinante. Em um ambiente de alta volatilidade, decisões de venda mais concentradas ou espaçadas tendem a gerar movimentos relevantes nos prêmios e nas bases regionais”, destaca Jordy.

“O ritmo de originação das tradings, a logística de embarque e fatores externos, como geopolítica, câmbio e energia, continuam sendo vetores importantes. O mercado deve alternar entre momentos de pressão de safra e períodos de disputa por soja. Mais do que o tamanho da produção, será a velocidade de entrada dessa oferta no mercado que irá direcionar os preços nos próximos meses”, completa.

Tags: AgronegócioMercadoNegóciosSafraSojas
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Formação acadêmica Jornalismo Universidade Presbiteriana Mackenzie

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