As exportações da América Latina e do Caribe registraram uma expansão de quase 16% nos primeiros três meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho representa o dobro da alta anual de 8% observada ao longo de 2025, impulsionado pelo avanço nos volumes embarcados e pela valorização de preços de commodities importantes para a pauta da região. Os dados constam no relatório divulgado nesta terça-feira (16) pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
De acordo com o documento oficial, a China despontou como o comprador de produtos latino-americanos com o ritmo de crescimento mais acelerado no trimestre, embora os Estados Unidos tenham conseguido reter o posto de principal mercado de destino global para o bloco econômico. O domínio comercial da Casa Branca na região continua ancorado, sobretudo, nos fortes laços e fluxos logísticos mantidos com o México e com os países da América Central. Em contrapartida, a China consolidou sua liderança de mercado na maior parte das nações situadas na América do Sul.
O balanço do BID joga luz sobre a velocidade distinta com que as duas maiores potências econômicas mundiais expandiram suas pontes de comércio com as empresas latino-americanas neste início de ano:
Vendas para a China: O valor das exportações da região para o mercado chinês saltou 25% na comparação trimestral anualizada. Para o restante do continente asiático, o avanço foi de 24%.
Vendas para a Europa e EUA: Os embarques direcionados para a União Europeia cresceram 19%, enquanto as exportações rumo aos Estados Unidos apresentaram uma alta de 14%.
Fluxo Inverso (Importações): As remessas da China para o mercado latino-americano dispararam 29% no período, enquanto as vendas dos EUA para a região cresceram a um ritmo moderado de 4%.
Apesar do menor dinamismo nas vendas, a participação dos EUA no estoque total de importações da América Latina atingiu a máxima histórica de quase 22%, ao passo que a fatia de mercado controlada pela China recuou marginalmente para o patamar de 9,6%. “Os Estados Unidos foram os que mais contribuíram para o aumento total das exportações da América Latina e do Caribe, enquanto a China e o restante da Ásia apresentaram o maior dinamismo”, sintetizou o relatório institucional do BID.
O comportamento da pauta exportadora foi severamente impactado pela volatilidade nos mercados globais decorrente da guerra envolvendo os EUA, Israel e o Irã no Oriente Médio. O ambiente de insegurança internacional impulsionou os preços de ativos de segurança e commodities minerais, ao mesmo tempo em que a inflação de custos logísticos penalizou nações importadoras líquidas de energia e insumos agrícolas.
Entre os principais produtos, o preço do ouro — tradicional ativo de refúgio financeiro — acumulou um salto expressivo de 64% entre os meses de janeiro e abril. Commodities industriais e agrícolas de peso como o cobre, o petróleo, a soja e o minério de ferro operaram com valorizações mais modestas. Na contramão, produtos de soft commodities como o café e o açúcar amargaram perdas de receita superiores a 20% no período.
O relatório do BID destaca que o conflito no Golfo Pérsico gerou pressões ambíguas. Embora os países exportadores de hidrocarbonetos tenham registrado incrementos nominais em seus caixas devido à escalada nos preços dos combustíveis, esses ganhos foram parcialmente neutralizados por uma forte elevação nos preços de fretes marítimos e no custo de importação de fertilizantes.
O caso da Venezuela expõe de forma nítida essa complexidade conjuntural. As exportações totais do país vizinho recuaram 8,7% no primeiro trimestre de 2026. O resultado ocorreu a despeito de uma leve expansão registrada nas vendas de petróleo bruto direcionadas especificamente para o mercado norte-americano, fluxo que passou a contar com uma supervisão direta de autoridades dos EUA após a captura do presidente Nicolás Maduro no início do ano.
