O comércio varejista brasileiro registrou uma retração de 1,5% em abril na comparação com o mês anterior, vindo consideravelmente pior do que as projeções do mercado financeiro. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o mesmo período do ano passado, o indicador apresentou um avanço de 1,0%.
O resultado gerou desconforto entre analistas e superou a ala mais pessimista das projeções. Uma pesquisa realizada pela agência Reuters junto a consultorias e instituições financeiras estimava uma queda bem mais branda na comparação mensal, projetada em 0,60%. Para o confronto anual (abril contra abril), o consenso dos analistas apontava para uma expansão de 1,95%, quase o dobro do indicador efetivamente reportado pelo instituto oficial de estatísticas.
A perda de fôlego do comércio acende um sinal de alerta sobre o ritmo de atividade econômica do país no segundo trimestre. Economistas apontam que o desempenho reflete o esgotamento de estímulos temporários observados no início do ano e escancara os impactos da política monetária restritiva sobre o bolso do consumidor.
O principal vetor de contenção para o comércio continua sendo o patamar da taxa básica de juros (Selic), atualmente estacionada em patamares elevados. O crédito mais caro encarece o financiamento de bens duráveis — como eletrodomésticos, eletrônicos e veículos — e eleva o custo do endividamento das famílias. Somado a isso, o processo de recomposição inflacionária corrói o poder de compra da massa salarial, concentrando os gastos familiares em itens essenciais de consumo imediato, como alimentos e medicamentos, em detrimento do varejo ampliado.
A divulgação do IBGE deve disparar uma rodada de revisões por parte das mesas de análise da Faria Lima. Com o consumo das famílias vindo abaixo do esperado, grandes bancos e gestoras de recursos tendem a recalibrar para baixo as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o trimestre corrente, consolidando o cenário de desaceleração da atividade econômica doméstica.









