A Compass (PASS3), companhia de gás do Grupo Cosan, fez sua estreia na Bolsa brasileira nesta segunda-feira (11) com desempenho tímido, alternando entre leves ganhos e perdas ao longo da manhã. Por volta das 10h23, o papel registrava queda de 0,89%, cotado a R$ 27,75 — ligeiramente abaixo do preço de R$ 28 fixado no IPO na última quinta-feira.
A oferta movimentou R$ 2,8 bilhões na oferta base e chegou a R$ 3,199 bilhões considerando os lotes adicionais, avaliando a companhia em R$ 20 bilhões na B3. A transação foi integralmente secundária, ou seja, não captou recursos novos para a empresa — os valores foram para acionistas vendedores, entre eles a própria Cosan, fundos como Atmos e Brasil Capital, além de Bradesco Vida e Previdência e o BTG Pactual.
A chegada da Compass à bolsa encerra um dos mais longos intervalos sem IPOs da história da B3, de quase cinco anos. O último ciclo de ofertas havia ocorrido em agosto de 2021, com as estreias de Raízen (RAIZ4) e Oncoclínicas (ONCO3), seguidas pelo IPO do Nubank em Nova York em dezembro do mesmo ano. A própria Cosan tentou listar a Compass em 2020, mas arquivou a oferta diante de condições desfavoráveis de mercado. Somente em 2026 as ofertas voltaram a ocorrer, com PicPay e Agibank abrindo caminho antes da estreia desta segunda-feira.
A oferta contou com uma estrutura robusta de coordenação, reunindo dez instituições financeiras, com BTG Pactual como líder, ao lado de Bank of America Merrill Lynch, Bradesco BBI, Citigroup, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP Investimentos, BNP Paribas e UBS BB. A empresa está listada no Novo Mercado, segmento mais exigente em termos de governança corporativa da B3.
No centro do negócio está a Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do Brasil, com atuação concentrada em São Paulo. A Compass também detém participações em outras quatro distribuidoras regionais — Sulgás (RS), Compagás (PR), MS Gás e SCGás —, além de operar o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), no Porto de Santos, responsável pela importação e reconversão de gás natural liquefeito (GNL) trazido por navios para suprir a demanda do mercado interno.
A companhia atende hoje cerca de 3,1 milhões de consumidores — residenciais, comerciais e industriais — por meio de uma malha de aproximadamente 28 mil quilômetros, pela qual são distribuídos 14,4 milhões de metros cúbicos de gás diariamente. Desde 2020, os investimentos na expansão da rede somam cerca de R$ 15 bilhões, segundo a empresa.
O IPO da Compass chega em um momento em que o mercado de gás natural no Brasil passa por um processo de abertura e diversificação, com maior participação de agentes privados ao longo da cadeia. Para a Cosan, a listagem da subsidiária representa uma forma de dar liquidez a ativos e sinalizar ao mercado o valor de um portfólio que vai além do açúcar, do etanol e da logística — negócios pelos quais o grupo é mais conhecido.









