A produção de milho do Brasil na safra 2025/26 deve atingir o recorde histórico de 141,73 milhões de toneladas, conforme dados divulgados nesta terça-feira (14) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado reflete uma revisão para cima de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas em relação ao relatório de junho, impulsionada pelo avanço dos trabalhos de colheita no campo. O anúncio marca uma virada de expectativas, já que a estatal projetava, até o mês passado, um volume inferior ao recorde anterior de 141,2 milhões de toneladas.
O reposicionamento das estimativas ocorreu durante a colheita da segunda safra do cereal, carinhosamente chamada de safrinha, que foi elevada de 107,86 milhões para 109,43 milhões de toneladas. A melhora nos números foi sustentada pelo desempenho agrícola de Mato Grosso, principal polo produtor do grão no país. A nível global, os novos volumes consolidam a relevância do Brasil no agronegócio, posicionando o país como o terceiro maior produtor mundial de milho — atrás de Estados Unidos e China — e o segundo maior exportador do planeta.
Apesar da recuperação da segunda safra, o recorde consolidado do ciclo deve-se fundamentalmente ao desempenho da primeira safra, colhida no verão, que registrou um acréscimo superior a 4,5 milhões de toneladas. Esse fôlego inicial compensou o encolhimento de 3,4% na safrinha na comparação anual, afetada por janelas de seca e irregularidades climáticas. Segundo os técnicos da Conab, enquanto Mato Grosso foi beneficiado por chuvas regulares, estados como Goiás, Minas Gerais e Piauí sofreram quebras devido a fortes veranicos registrados nos meses de abril e maio.
Pelo lado da demanda, a estatal optou por manter estável sua projeção para as exportações de milho em 46,5 milhões de toneladas, o que representa um salto significativo frente aos 41,6 milhões de toneladas embarcados no período anterior. Da mesma forma, o consumo interno foi projetado no recorde de 94,9 milhões de toneladas, impulsionado pela contínua expansão das indústrias de etanol de milho. Diante da oferta mais robusta, os estoques finais foram recalculados para 14,5 milhões de toneladas, alcançando o maior patamar desde o ciclo 2019/20.
Além do balanço do milho, a Conab atualizou os dados para a cultura da soja, cuja colheita já foi integralmente concluída no país. A projeção da oleaginosa foi ajustada para a máxima histórica de 180,6 milhões de toneladas, um incremento de 0,2% em relação ao levantamento de junho e que representa um crescimento de 5,3% sobre a temporada passada. O consumo interno de soja foi estimado em 62,6 milhões de toneladas, mantendo-se praticamente estável frente ao mês anterior.
Refletindo o fôlego da colheita, a estatal elevou ligeiramente sua projeção para os embarques de soja do Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity, para o recorde de 116,3 milhões de toneladas. O número supera com folga as 108,2 milhões de toneladas exportadas no ano passado. Com o desempenho somado de ambas as culturas, a produção total de grãos e oleaginosas do Brasil no ciclo 2025/26 foi estimada em 360,1 milhões de toneladas, consolidando uma expansão de 2,2% na comparação anual.
