Conflito pressiona preços globais de alimentos

(Leandro Fonseca /Exame)

O avanço do conflito no Oriente Médio começou a pressionar os preços globais de alimentos. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura indicam alta pelo segundo mês consecutivo.

O índice global de preços de alimentos subiu 2,4 por cento em março. O aumento foi impulsionado pelos custos mais altos de energia e transporte, que afetam diretamente a cadeia de produção e distribuição.

Os maiores avanços ocorreram nos preços de óleos vegetais açúcar e cereais. Mesmo com a alta, o nível ainda permanece abaixo do pico registrado em 2022.

Logística e insumos ampliam impacto

A escalada do conflito tem afetado rotas estratégicas do comércio global e encarecido insumos essenciais para a agricultura. O fechamento de corredores importantes compromete o fluxo de fertilizantes e eleva os custos de produção.

Com isso, produtores enfrentam maior dificuldade para manter o nível de plantio. Caso o cenário se prolongue, há risco de redução na produção agrícola e impacto nas próximas safras.

Projeções indicam que os preços globais de alimentos podem subir entre 15 por cento e 20 por cento no primeiro semestre, caso a crise continue.

Inflação de alimentos preocupa economia global

A alta dos alimentos representa um desafio adicional para a economia global. Diferente de outros itens, o custo da alimentação tem impacto direto no consumo das famílias e nas expectativas de inflação.

Especialistas apontam que esse tipo de pressão tende a persistir por mais tempo, o que dificulta a atuação de bancos centrais. Medidas como aumento de juros têm efeito limitado diante de uma inflação causada por oferta.

Mesmo com estoques globais de grãos em níveis considerados adequados, o cenário segue incerto e depende da evolução do conflito nos próximos meses.

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