A Conta Simples alcançou R$ 90 bilhões movimentados pela plataforma no primeiro semestre de 2026 e lançou um agente de inteligência artificial para automatizar a conferência de despesas corporativas.
Batizada de Conferência Automatizada de Despesas, a ferramenta analisa comprovantes fiscais, categorias e centros de custo a cada transação. O sistema também vincula notas fiscais, identifica divergências e envia alertas ao colaborador responsável.
Segundo a fintech, o recurso funciona de forma nativa na plataforma, sem a necessidade de exportar extratos, configurar integrações externas ou esperar o fechamento mensal para revisar os gastos.
O lançamento marca a primeira entrega da estratégia chamada pela companhia de Banco Agêntico B2B. O plano prevê incorporar novos agentes de IA à operação financeira das empresas ao longo de 2026.
Fintech atende mais de 45 mil empresas
A Conta Simples encerrou junho com mais de 45 mil empresas em sua base e 2,3 milhões de cartões corporativos emitidos.
Depois de atingir R$ 90 bilhões movimentados no primeiro semestre, a expectativa é ultrapassar R$ 100 bilhões até dezembro. Para 2030, a companhia projeta alcançar R$ 500 bilhões em volume transacionado.
A estratégia considera uma meta de crescimento de 80% ao ano durante os próximos cinco anos. Além dos cartões corporativos, a plataforma oferece conta empresarial e ferramentas para controle e organização de despesas.
A expansão também será apoiada por novos produtos baseados em inteligência artificial. Atualmente, 10% do investimento anual da fintech é direcionado ao desenvolvimento da tecnologia.
Agente confere transações em tempo real
A cada gasto realizado, o agente verifica se o comprovante foi anexado, se a categoria está correta e se a transação foi vinculada ao centro de custo correspondente.
Quando identifica uma inconsistência, a ferramenta notifica imediatamente o colaborador. O objetivo é corrigir falhas durante o processo, antes que elas se acumulem até o fechamento financeiro.
Lembretes automáticos também podem ser enviados de acordo com as políticas definidas por cada empresa. Dessa forma, o gestor passa a acompanhar principalmente as exceções, em vez de revisar manualmente toda a movimentação.
A meta operacional é que mais de 95% das transações cheguem ao fechamento já conferidas, sem intervenção humana.
“O cliente sempre teve que exportar o extrato e conferir por fora, como se o serviço terminasse na transferência. Estamos mudando essa lógica: o trabalho financeiro acontece onde o dinheiro da empresa está”, afirma Rodrigo Tognini, CEO e cofundador da Conta Simples.
Times financeiros gastam 21 horas por semana com despesas
Levantamento realizado pela Conta Simples em parceria com a Visa aponta que equipes financeiras dedicam, em média, 21 horas por semana à organização de despesas corporativas.
Em empresas de médio porte, o custo do trabalho manual pode alcançar R$ 10 mil por mês, segundo estimativa apresentada pela fintech. Ao considerar os clientes com estruturas financeiras dedicadas, a companhia calcula um custo operacional superior a R$ 50,5 milhões por ano.
O processo tradicional costuma exigir a exportação de dados bancários, a comparação com notas fiscais e a classificação dos gastos em planilhas ou sistemas separados.
Além da perda de produtividade, erros de categorização e ausência de documentos podem gerar problemas contábeis e fiscais.
Dados citados pela Conta Simples mostram que a Receita Federal enviou mais de 100 mil comunicados de malha fiscal a pessoas jurídicas em 2025, relacionados a R$ 233 bilhões em autuações.
Conta Simples colocou 170 agentes em operação interna
Antes de oferecer a solução aos clientes, a fintech testou o uso de agentes em seus próprios processos. A meta estabelecida no início de 2026 era colocar 100 automações em funcionamento dentro da operação.
Ao fim do primeiro semestre, a companhia já utilizava 170 agentes de inteligência artificial em diferentes atividades internas.
A experiência serviu de base para o desenvolvimento dos produtos que serão incorporados à plataforma bancária. A proposta é automatizar tarefas operacionais e liberar os profissionais para análises, controle e tomada de decisão.
Novos agentes devem ser lançados mensalmente até o último trimestre de 2026, quando a Conta Simples pretende consolidar o modelo de Banco Agêntico B2B.
Empresas poderão criar agentes próprios
Para o fim de 2026, a fintech prepara o lançamento do Faça Seu Agente. A iniciativa permitirá que os clientes criem automações adaptadas às regras e aos fluxos financeiros de cada negócio.
A ferramenta será construída sobre a infraestrutura tecnológica da Conta Simples e deverá permitir a personalização de rotinas como validação, cobrança de documentos e organização de despesas.
“Estamos provando que banco pode ser serviço, não só produto. Cada agente que lançarmos a partir de agora vai resolver mais um processo que o mercado financeiro ignorou por anos”, afirma Tognini.
