O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil deve anunciar nesta quarta-feira (17) o seu terceiro corte consecutivo de 25 pontos-base na taxa básica de juros, conforme aponta o consenso de uma pesquisa realizada pela agência Reuters. O movimento consolida um ciclo de afrouxamento monetário gradual e cauteloso, desenhado em um ambiente onde os custos de empréstimo no país ainda orbitam patamares próximos das máximas das últimas duas décadas.
De acordo com o levantamento feito entre os dias 12 e 15 de junho, 41 dos 45 economistas consultados preveem que a taxa Selic recuará de 14,50% para 14,25% ao ano. Apenas quatro analistas projetam uma manutenção do juro no patamar atual. O ciclo de flexibilização teve início em março deste ano, após a autoridade monetária ter estancado a taxa básica em 15% até o segundo semestre de 2025 para conter o superaquecimento dos preços.
Apesar do viés de baixa no curto prazo, o cenário para a extensão total do ciclo de cortes tornou-se consideravelmente mais nebuloso. O principal obstáculo enfrentado pelos diretores do Banco Central é a resiliência dos índices de preços domésticos. A inflação oficial anualizada do país acelerou para 4,72% em maio, vinda de 4,39% no mês anterior, distanciando-se do centro da meta estipulada em 3% — cujo limite máximo de tolerância pelo sistema de bandas é de 4,50%.
A preocupação com a dinâmica dos preços ganhou um componente extra de volatilidade vindo do campo. Em relatórios enviados a clientes, a equipe macroeconômica do BTG Pactual destacou que as anomalias climáticas severas geradas pelo fenômeno El Niño acenderam um sinal de alerta sobre os preços dos alimentos e da energia, vetores tradicionais de pressão inflacionária de curto prazo. Economistas ponderam que o desancoramento das expectativas de inflação para os próximos anos limita o espaço de manobra do comitê, podendo paralisar o ciclo de cortes abruptamente caso os riscos de alta se materializem.
A sinalização técnica emitida pelo Banco Central em seus últimos comunicados e atas deve se traduzir na manutenção de um tom rigidamente conservador no documento que acompanhará a decisão de quarta-feira. A postura contrasta com o cenário internacional, onde a maioria das economias desenvolvidas e pares emergentes operam na direção oposta, avaliando aumentos ou manutenção de juros restritivos para debelar suas próprias pressões de demanda.
Para os próximos meses, o mercado se divide sobre o tamanho do fôlego do Copom:
Próxima Reunião (Agosto): Quase dois terços dos analistas que responderam às questões qualitativas da Reuters (19 de 31) ainda esperam uma nova redução residual de 0,25 ponto percentual no encontro subsequente.
Horizonte de Médio Prazo: As estimativas medianas coletadas na pesquisa indicam que a taxa Selic deve encerrar o ano fiscal de 2026 fixada em 13,75%, convergindo para o patamar de 12,00% apenas ao final de 2027. O desenho desenhado pelo levantamento converge com os dados mais recentes do Relatório Focus, o termômetro semanal das expectativas de mercado coletado pelo próprio Banco Central.
