A argentina DeepAgro levantou US$ 3 milhões, cerca de R$ 15,5 milhões, em uma rodada pré-Série A para acelerar sua expansão no Brasil. A captação ocorre depois de a agtech testar sua tecnologia de pulverização seletiva com inteligência artificial em lavouras da Amaggi e registrar, segundo a empresa, economia média de 71% no uso de herbicidas.
A maior parte dos recursos veio de um “grande fundo brasileiro”, cuja identidade não foi revelada. O capital será direcionado principalmente à ampliação da operação comercial, da equipe e da base de clientes no país.
Fundada em 2017, a DeepAgro já teve sua tecnologia usada em cerca de 1,2 milhão de hectares na Argentina, distribuídos por mais de 100 clientes que cultivam soja, milho, amendoim, algodão e girassol.
A entrada no Brasil começou há cerca de dois anos, mas sem uma estratégia imediata de vendas. Primeiro, a startup levou seus sistemas ao Mato Grosso para adaptar os algoritmos às plantas daninhas e às condições das lavouras brasileiras.
Teste na Amaggi percorreu 22 mil hectares
A principal validação ocorreu nas fazendas da Amaggi. Durante um ano, o sistema SprAI foi instalado em pulverizadores da companhia e percorreu pouco mais de 22 mil hectares de soja e algodão.
A tecnologia usa sensores e câmeras acoplados às máquinas para identificar plantas daninhas em tempo real. A partir das imagens, a inteligência artificial decide onde o herbicida deve ser aplicado, evitando pulverização uniforme em áreas sem necessidade.
Nos testes, a DeepAgro afirma ter reduzido em média 71% o consumo de produtos químicos. O sistema também foi usado em áreas com fechamento de entrelinhas, uma condição mais complexa para soluções de visão computacional.
Outro desafio foi o caruru, planta daninha que não aparece nas operações argentinas da startup. A presença da espécie obrigou a equipe a treinar e recalibrar seus algoritmos para o campo brasileiro.
Segundo estimativas citadas pela empresa, a infestação pode provocar perdas de 14 a 15 sacas por hectare.
Adecoagro também testa tecnologia
Além da Amaggi, a DeepAgro realiza testes com a Adecoagro em lavouras de cana-de-açúcar. Os resultados finais ainda não foram consolidados.
Com as primeiras validações concluídas, a empresa quer usar os casos brasileiros como vitrine para ganhar escala. Uma das regiões prioritárias é o corredor da BR-163, que atravessa Mato Grosso e concentra grandes áreas de produção agrícola.
“A gente falava que tinha que vir para o Brasil resolver problemas do Brasil. Nosso primeiro objetivo não era vender no Brasil. Era demonstrar que a solução era capaz de rodar do jeito certo”, afirmou José Dominguez, responsável pela operação brasileira da DeepAgro.
Startup negocia parceria com fabricante de máquinas
A DeepAgro também negocia uma parceria com um fabricante de máquinas agrícolas para ampliar a distribuição da tecnologia no país.
Segundo a empresa, o sistema pode ser adaptado a pulverizadores de diferentes marcas e anos de fabricação. A startup afirma conseguir instalar a solução em equipamentos produzidos entre 1995 e 2026.
O modelo comercial inclui tanto venda direta quanto locação. No Brasil, a demanda pelo aluguel surpreendeu a empresa, que na Argentina trabalhava principalmente com venda dos equipamentos.
A locação pode ocorrer por preço fechado ou cobrança por hectare. Pelos cálculos da DeepAgro, o investimento na tecnologia pode se pagar após aproximadamente 8 mil hectares de aplicação.
Brasil vira principal mercado da próxima fase
A expansão brasileira ganha peso na estratégia global da startup. A DeepAgro também mantém clientes nos Estados Unidos, onde trabalha com amendoim e milho, e no Uruguai.
Antes da rodada atual, a empresa havia captado cerca de US$ 4,8 milhões com investidores como Innventure, Draco Capital, BYX Ventures e Pampa Start.
A próxima etapa deve ser uma Série A mais robusta, prevista para meados de 2027. A intenção é ampliar a presença de investidores brasileiros no capital.
“Somos uma startup que começou na Argentina, não somos uma empresa argentina. Começamos lá, com escala global, e agora com foco maior no Brasil”, afirmou Juan Manuel Baruffaldi, CEO e fundador da DeepAgro.
Filho de produtor rural e formado em ciência da computação, Baruffaldi criou a tecnologia depois de acompanhar um problema do pai com aplicação de químicos na lavoura. A solução inicial evoluiu para um sistema comercial de pulverização seletiva apoiado por IA.
