O déficit em conta corrente do Brasil atingiu US$ 6,036 bilhões em março, superando a projeção de US$ 5,489 bilhões estimada por economistas consultados pela Reuters. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central. Em 12 meses, o déficit acumulado subiu para 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 2,61% registrados no mês anterior.
O principal fator por trás do resultado foi a deterioração da balança comercial. O superávit comercial encolheu US$ 1,6 bilhão em relação a março do ano passado, pressionado pelo crescimento das importações em ritmo bem superior ao das exportações — dinâmica que pesou diretamente sobre as contas externas do país.
Outros componentes da conta corrente também contribuíram para o aumento do déficit. Os pagamentos de fatores — que incluem remessas de lucros e juros ao exterior — registraram alta de US$ 1,1 bilhão em relação a março de 2025, enquanto o déficit em serviços cresceu US$ 600 milhões no mesmo período.
Do lado do financiamento externo, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) somou US$ 6,037 bilhões no mês, ficando abaixo da previsão de US$ 7 bilhões dos analistas. Em 12 meses, o IED acumulado recuou para 3,18% do PIB, contra 3,24% registrados em fevereiro.
Em perspectiva anual, o déficit em 12 meses somou US$ 64,274 bilhões até março, correspondendo a 2,71% do PIB — o maior nível desde janeiro, quando estava em 2,84%. Na comparação com o mesmo período de 2025, no entanto, houve melhora: naquele ano, o acumulado em 12 meses era de US$ 74,383 bilhões, ou 3,47% do PIB.
O resultado reforça um quadro de maior pressão sobre as contas externas brasileiras no início de 2026, com importações aquecidas e fluxo de investimento estrangeiro abaixo do esperado. A combinação entre déficit corrente crescente e IED declinante tende a aumentar a dependência do país por outras fontes de financiamento externo.









