O desemprego no Brasil ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026, segundo dados da PNAD Contínua divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (26).
A taxa ficou estável em relação ao trimestre encerrado em fevereiro, quando estava em 5,8%, mas caiu na comparação anual. No mesmo período de 2025, o índice era de 6,2%.
Mesmo sem variação estatística relevante no trimestre, o resultado marca a menor taxa de desemprego para um período encerrado em maio desde o início da série histórica, em 2012.
O país tinha 6,1 milhões de pessoas desempregadas no trimestre até maio. O número ficou praticamente estável frente ao período anterior, mas caiu 9,3% em um ano, o equivalente a 624 mil pessoas a menos em busca de trabalho.
Mercado mantém tendência de aquecimento
A leitura do IBGE aponta para um mercado de trabalho ainda forte, com capacidade de absorver mão de obra mesmo em um período de estabilidade sazonal.
“A estabilidade na variação é sazonal, pois é o período em que os setores começam a olhar para o segundo semestre. Ainda assim, atingir a mínima histórica para o período indica que o mercado mantém uma tendência estrutural de aquecimento e expansão na absorção de mão de obra”, afirma William Kratochwill, analista da pesquisa.
A população ocupada chegou a 102,7 milhões de pessoas, com alta de 0,5% frente ao trimestre anterior. Em números absolutos, foram 840 mil trabalhadores a mais no mercado.
O nível de ocupação, que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada, ficou em 58,6%.
Subutilização chega ao menor nível da série
Outro dado relevante veio da taxa de subutilização, que recuou para 13,3%, o menor patamar já registrado pela série histórica.
Esse indicador reúne pessoas desempregadas, trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e pessoas disponíveis para trabalhar, mas que não procuraram emprego por diferentes motivos.
O contingente nessa condição caiu para 15,1 milhões de pessoas.
Para Kratochwill, a queda indica que a reserva de trabalhadores disponível para ser absorvida pelas empresas está menor.
“A taxa de subutilização de 13,3% mostra que esse grupo de reserva está se esgotando. Isso porque havia um contingente muito maior de pessoas nessa condição durante a pandemia, quando chegou perto de 30%”, afirma.
Com menos pessoas disponíveis, a tendência é de maior pressão por remuneração e melhores condições de trabalho, segundo o analista.
Desalento também recua
O número de desalentados ficou em 2,4 milhões no trimestre encerrado em maio.
Esse grupo reúne pessoas que desistiram de procurar trabalho por acreditarem que não conseguiriam uma vaga. O total caiu 10,2% no trimestre e 14,6% em um ano.
A taxa de desalento ficou em 2,2%, com queda de 0,3 ponto percentual no trimestre e de 0,4 ponto percentual na comparação anual. Essa redução ajuda a reforçar a leitura de melhora no mercado, já que menos trabalhadores estão abandonando a busca por emprego.
Carteira assinada segue estável
Entre os trabalhadores do setor privado com carteira assinada, o total chegou a 39,2 milhões, sem variação significativa no trimestre e no ano.
Os empregados sem carteira no setor privado somaram 13,3 milhões, também estáveis nas duas bases de comparação.
Já os trabalhadores por conta própria chegaram a 26 milhões, mantendo estabilidade.
A informalidade ficou em 37,3% da população ocupada. Apesar da melhora no desemprego, a parcela de trabalhadores sem vínculo formal ainda permanece elevada no país.
Renda média cresce em um ano
O rendimento médio real habitual foi de R$ 3.726 no trimestre encerrado em maio.
O valor ficou estável em relação ao trimestre anterior, mas cresceu cerca de 4% frente ao mesmo período de 2025.
A massa de rendimento, que soma todos os ganhos do trabalho no país, chegou a R$ 377,7 bilhões. O resultado também ficou estável no trimestre e avançou em relação ao ano anterior.
A combinação de mais pessoas ocupadas, menor desalento e renda maior ajuda a sustentar o consumo das famílias, um dos principais motores da economia brasileira.
Transporte e serviços públicos puxam novas vagas
Dois grupos tiveram crescimento no número de ocupados frente ao trimestre anterior.
Transporte, armazenagem e correio avançaram 3%, com 177 mil pessoas a mais. Já administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais cresceram 3,1%, com aumento de 591 mil trabalhadores.
Nos demais setores, o IBGE não identificou variações significativas.






