Djassi Africa escolhe Brasil para acelerar expansão entre três continentes

A Djassi Africa quer transformar o Brasil em uma das bases de sua expansão internacional. Criada em 2020 pelos irmãos guineenses Fernando e Rudolphe Cabral, a organização reúne mais de 600 startups em seu ecossistema e pretende ampliar no país uma rede que conecta fundadores, investidores e mercados da África lusófona e da Europa.

A estratégia parte de uma combinação de escala, idioma e perfil demográfico. O Brasil é visto pelos fundadores como um mercado capaz de aproximar empreendedores de países como Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe, além de Portugal, utilizado como uma das portas de entrada para a União Europeia.

“Queremos fomentar o triângulo de negócios que une o Brasil, a África lusófona e Portugal como ponto de entrada para a União Europeia”, afirmou Fernando Cabral, General Partner da Djassi Ventures e Managing Partner da Djassi Africa, em entrevista ao portal Startups.

Hoje, a organização concentra sua atenção em startups de ideação, pré-seed e seed que utilizam tecnologia e inovação digital e enfrentam dificuldades para acessar capital, redes de relacionamento e oportunidades internacionais.

De venture builder a ecossistema de startups

Embora ainda mantenha o venture building como uma de suas frentes, a Djassi Africa passou a operar com uma estrutura mais ampla. O modelo combina desenvolvimento de negócios, aceleração, formação de investidores-anjo e conexão com fundos de venture capital, family offices e grandes empresas.

Nem toda startup apoiada recebe um cheque direto. Em parte dos casos, o trabalho começa antes, na estruturação do negócio, no amadurecimento da proposta e na preparação do fundador para crescer e captar recursos.

Essa escolha ajuda a explicar a concentração nos estágios iniciais. Para a Djassi Africa, entrar cedo permite interferir em pontos que costumam determinar a capacidade de uma startup avançar, como modelo de negócio, estratégia comercial, acesso a redes e visão internacional.

Mais de 600 startups já passaram pelo ecossistema. Desse total, entre 150 e 200 fazem parte da Djassi Ventures, braço voltado ao desenvolvimento, aceleração e crescimento dos negócios.

Outra frente é a Djassi Angels, comunidade criada para formar investidores-anjo e aproximá-los das empresas acompanhadas pelo grupo. O programa oferece capacitação para profissionais interessados em investir em startups e cria uma ponte com os negócios que circulam pela Djassi Ventures.

A intenção é construir os dois lados do mercado ao mesmo tempo. Enquanto os founders recebem apoio para desenvolver as empresas, novos investidores são preparados para analisar oportunidades e participar de rodadas em estágios iniciais.

Brasil entra no centro da expansão

A aposta no país não se limita à captação de startups brasileiras. O plano é usar o mercado nacional como parte de uma rede internacional de circulação de negócios, capital e oportunidades comerciais.

Nesse desenho, o Brasil se conecta aos países africanos de língua portuguesa e a mercados europeus. A Djassi Africa já mantém presença no Reino Unido e em Portugal e pretende avançar também sobre Itália, França e Irlanda.

A proximidade linguística aparece como vantagem, mas não é a única. O tamanho do mercado brasileiro e a presença de uma ampla população negra tornam o país relevante para uma organização que construiu sua origem trabalhando com founders historicamente menos presentes nas redes tradicionais de capital e inovação.

Há, porém, um desafio de posicionamento. Segundo Fernando, parte do mercado ainda interpreta a atuação com grupos sub-representados como uma iniciativa filantrópica ou de assistência, percepção que a Djassi Africa tenta afastar.

“Muitas entidades associam o trabalho da Djassi à filantropia, à caridade. E a grande dificuldade é dizer: não é isso que fazemos. O trabalho que fazemos é de negócio. Não estamos simplesmente ajudando pessoas, estamos criando as melhores startups do mercado”, afirmou.

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