A ClickHouse acelerou sua expansão na América Latina e colocou o Brasil no centro de uma estratégia que prevê multiplicar o negócio regional por quatro a cinco vezes em 2026. Avaliada em cerca de US$ 15 bilhões, a empresa de banco de dados estruturou equipes de vendas, pré-vendas, marketing, treinamento, consultoria e parceiros para ganhar espaço entre grandes companhias.
A operação latino-americana começou no início de 2025, mas a ofensiva ganhou escala neste ano. Sob o comando de André Serpa, vice-presidente para a América Latina, a ClickHouse já mantém equipes na Argentina e na Colômbia e prepara sua chegada ao México.
“Há uma grande oportunidade de mercado, não só no Brasil, mas na região inteira”, afirma Serpa.
A aposta ocorre em um momento de forte expansão global. A companhia alcançou US$ 250 milhões em receita recorrente anual, depois de triplicar o negócio em menos de um ano. Segundo Serpa, a receita recorrente cresce mais de 250% ao ano e a base de clientes avançou de 3 mil para 4 mil nos últimos meses.
IA acelera demanda por bancos de dados mais rápidos
A tecnologia da ClickHouse foi criada dentro da Yandex para processar grandes volumes de eventos e páginas vistas na internet. O código foi aberto em 2016 e a operação se tornou uma empresa independente em 2021.
Hoje, a plataforma é usada por nomes como OpenAI, Anthropic, Tesla, Meta, Netflix, Microsoft, Cloudflare, eBay e Uber.
A nova frente de crescimento está ligada à chamada analítica agêntica, na qual agentes de inteligência artificial fazem consultas sucessivas a grandes bases de dados. Nesse modelo, velocidade e custo ganham peso porque cada interação pode gerar novas consultas em sequência.
A ClickHouse também lançou o ClickHouse Agents, produto voltado à construção de agentes diretamente sobre sua infraestrutura de dados.
O avanço foi acompanhado por duas grandes rodadas. Em maio de 2025, a empresa levantou US$ 350 milhões em uma Série C que a avaliou em aproximadamente US$ 6,35 bilhões. Em janeiro de 2026, captou outros US$ 400 milhões e chegou ao valuation de cerca de US$ 15 bilhões.
MercadoLibre virou vitrine regional
Na América Latina, um dos principais casos apresentados pela empresa é o MercadoLibre.
Segundo a ClickHouse, a companhia conseguia analisar apenas uma amostra de 1% dos cliques de usuários por causa do custo da infraestrutura anterior. Com a nova tecnologia, passou a capturar 100% dos eventos.
O projeto teria reduzido os custos em 50% e tornado as análises 50 vezes mais rápidas, de acordo com os dados divulgados pela empresa.
No Brasil, a lista de clientes inclui ainda QuintoAndar e iFood.
A meta agora é transformar esses casos em expansão comercial. Além de projetar crescimento de quatro a cinco vezes em 2026, a liderança regional trabalha com a ambição de pelo menos dobrar o negócio na América Latina a cada ano pelos próximos três a cinco anos.









