A moeda americana encerrou esta segunda-feira (23) cotada a R$ 5,169, com queda de 0,14%. Durante o pregão, chegou à mínima de R$ 5,1398 — o nível mais baixo desde maio de 2024. Foi, portanto, a terceira desvalorização consecutiva do dólar frente ao real.
Decisão da Suprema Corte americana impulsiona queda
O principal gatilho foi a decisão da Suprema Corte dos EUA, que declarou ilegais as tarifas recíprocas de Trump. O governo americano reagiu elevando a alíquota global para 15%. Ainda assim, o mercado leu o episódio como um sinal de que o uso das tarifas como arma econômica tem limites. Com isso, cresce a expectativa de que o Fed corte juros com mais intensidade. Afinal, a inflação americana tende a ceder com tarifas menores.
Além disso, o dólar perdeu força globalmente. Segundo Bruno Perri, da Forum Investimentos, as políticas de Trump estão corroendo o papel da moeda americana como reserva de valor. Em consequência, o ouro se beneficiou diretamente. O metal subiu 2,85% nesta segunda, negociado a US$ 5.225,60 por onça-troy na Comex.
Fluxo interno e geopolítica também influenciaram
No mercado doméstico, importadores fecharam câmbio desde cedo, pressionando ainda mais o dólar para baixo. Outro fator foi o desmonte de posições defensivas montadas na sexta-feira, quando havia temor de um ataque americano ao Irã. Como o ataque não aconteceu, os investidores desfizeram essas apostas. O real, portanto, ganhou fôlego adicional.
Apesar da queda recente, o risco geopolítico ainda não saiu do radar. Caso a tensão entre EUA e Irã se intensifique, o câmbio pode voltar a sentir pressão.