Dona da Tok&Stok e Mobly entra em recuperação judicial

As ações do Grupo Toky (TOKY3), holding que controla as redes Tok&Stok e Mobly, registraram um colapso nesta terça-feira após a companhia oficializar um pedido de recuperação judicial. Com um endividamento superior a R$ 1 bilhão, a empresa protocolou o pedido em caráter de urgência na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Estado de São Paulo. O movimento reflete a crise profunda enfrentada pelo varejo de móveis e decoração, setor que vem sendo duramente atingido pela conjuntura econômica do país.

O mercado reagiu com pessimismo imediato à notícia, levando os papéis da companhia a uma queda de aproximadamente 40% por volta do meio-dia, cotados a R$ 0,17. A desvalorização acentua uma trajetória negativa iniciada no começo do ano, acumulando uma perda de valor de mercado próxima a 80% em 2026. No processo entregue à Justiça, a administração do grupo detalhou que o passivo total soma R$ 1,12 bilhão, evidenciando o esgotamento da capacidade de pagamento da empresa sob a estrutura atual.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a diretoria do Grupo Toky explicou que as tentativas de reestruturação de dívidas junto aos credores da Tok&Stok não foram suficientes para conter o agravamento da situação financeira. A companhia justificou a medida como um passo indispensável para preservar suas atividades operacionais e proteger sua liquidez. Segundo a nota, a recuperação judicial permitirá uma reorganização ordenada do endividamento e a busca por um novo equilíbrio em sua estrutura de capital.

A crise de liquidez de curto prazo foi agravada, segundo a empresa, por restrições temporárias nos níveis de estoque, o que comprometeu as vendas e o fluxo de caixa. A direção ressaltou que o ambiente macroeconômico, marcado por taxas de juros elevadas e pelo alto nível de endividamento das famílias brasileiras, reduziu drasticamente o consumo de bens duráveis. Esses fatores externos, somados aos desafios internos de integração entre as marcas, inviabilizaram a manutenção da operação sem o auxílio da proteção jurídica.

O pedido de recuperação judicial busca, primordialmente, viabilizar a continuidade dos serviços prestados e manter a função social da empresa no mercado nacional. Ao recorrer ao Judiciário, o Grupo Toky ganha fôlego para suspender cobranças imediatas e apresentar um plano de recuperação que possa convencer os credores da viabilidade do negócio a longo prazo. O conselho de administração afirmou que a decisão visa resguardar o valor da companhia e garantir que as negociações ocorram dentro de um ambiente seguro e controlado.

A ação judicial corre sob segredo de justiça no Foro Central Cível de São Paulo, o que limita o acesso detalhado aos termos iniciais da proposta de reestruturação. Nos bastidores do setor varejista, o caso é acompanhado com atenção, pois as dificuldades do Grupo Toky são vistas como um sintoma dos desafios enfrentados por grandes redes de varejo especializado em todo o país. O próximo passo agora depende da homologação do pedido pela Justiça e da subsequente assembleia de credores para aprovação do plano de soerguimento.

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