Epic Games anuncia demissões em massa com desaceleração de Fortnite

A Epic Games anunciou o corte de mais de 1.000 postos de trabalho, em um movimento que reflete a estagnação do crescimento na indústria de videogames e os desafios financeiros internos da companhia. Segundo o CEO Tim Sweeney, em comunicado enviado aos funcionários nesta terça-feira, a empresa tem operado com gastos significativamente superiores às suas receitas, tornando necessários cortes drásticos para garantir a sustentabilidade do negócio. Além das demissões, a Epic projeta uma economia de US$ 500 milhões por meio da redução de investimentos em marketing, contratos externos e o cancelamento de vagas que ainda não haviam sido preenchidas.

O principal motor dessa reestruturação é a queda no engajamento de Fortnite, o título mais emblemático da desenvolvedora. Embora o jogo de tiro tenha demonstrado resiliência durante a pandemia e continue liderando em número de usuários ativos mensais em consoles como PlayStation e Xbox, o tempo médio de permanência dos jogadores sofreu uma redução acentuada.

Sweeney admitiu dificuldades em manter a “magia” do jogo de forma consistente e destacou que o modelo de “serviço ao vivo” exige um fluxo constante e oneroso de novos conteúdos, o que se torna insustentável sob as atuais condições de mercado, classificadas por ele como as mais extremas desde a fundação da empresa em 1991.

Este anúncio marca a segunda grande onda de demissões da Epic Games em menos de três anos, somando-se ao corte de 830 funcionários realizado em setembro de 2023.

O CEO fez questão de enfatizar que as demissões não estão relacionadas ao avanço da inteligência artificial, buscando dissipar temores de que a tecnologia estaria substituindo desenvolvedores. Paralelamente aos cortes, a empresa já havia tentado aliviar as pressões de custo aumentando os preços das moedas virtuais dentro do Fortnite, justificando a medida pela elevação das despesas operacionais para manter os servidores e o suporte ao jogo.

O cenário enfrentado pela Epic não é isolado e reflete uma crise mais ampla no setor de tecnologia e entretenimento. Outras gigantes, como Electronic Arts (EA) e Amazon, também realizaram cortes em massa e cancelaram projetos em desenvolvimento recentemente. Além da saturação do mercado pós-pandemia, a indústria sofre com o encarecimento de semicondutores e chips de memória, cuja oferta tem sido drenada pela alta demanda de centros de dados voltados para IA. Esse aumento de custos de hardware força os fabricantes de consoles a elevar preços, reduzindo o poder de consumo e agravando a incerteza econômica que agora pressiona as maiores franquias do mundo.

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