O patrimônio dos fundos negociados em bolsa, conhecidos como ETFs, quase triplicou no Brasil nos últimos dois anos e alcançou cerca de R$ 116 bilhões. A expansão foi impulsionada pelo lançamento de novos produtos, pela entrada de recursos em fundos de renda fixa e pela procura por alternativas com custos menores e vantagens tributárias.
Gestoras como BTG Pactual Asset Management, Itaú Asset Management e Investo ampliaram rapidamente sua presença nesse mercado. O avanço acompanha uma mudança no comportamento dos investidores brasileiros, que passaram a buscar veículos mais líquidos, transparentes e adaptados às características locais.
Os ETFs permitem aplicar em uma carteira de ativos por meio da compra de uma única cota negociada na bolsa. Dependendo da estratégia, o produto pode acompanhar índices de ações, títulos públicos, moedas, commodities ou mercados internacionais.
Embora investidores institucionais já utilizassem ETFs listados nos Estados Unidos para obter exposição ao Brasil, a oferta local permaneceu limitada por anos. Fundos tradicionais de gestão ativa dominaram o mercado, enquanto os produtos negociados em bolsa tinham menor variedade e patrimônio.
Esse cenário começou a mudar com a entrada de novas gestoras e o aumento da demanda por instrumentos de renda fixa.
ETFs de renda fixa atraem R$ 27 bilhões
Os ETFs brasileiros de renda fixa receberam mais de R$ 27 bilhões em novos recursos em 2026, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a Anbima.
O crescimento está relacionado à combinação de juros elevados, taxas de administração geralmente menores e uma estrutura tributária diferente da observada em parte dos fundos tradicionais.
Os ETFs não estão sujeitos ao come-cotas, mecanismo que antecipa a cobrança do Imposto de Renda duas vezes por ano em determinados fundos. Nesses produtos, a tributação ocorre no momento da venda das cotas, de acordo com as regras aplicáveis a cada categoria.
No Itaú Asset Management, os fundos negociados em bolsa que investem em títulos públicos estão entre os que apresentam maior procura.
O movimento favorece investidores que desejam exposição à renda fixa sem precisar selecionar individualmente cada título. Também permite negociar as cotas durante o horário de funcionamento da bolsa, como ocorre com as ações.
BTG supera R$ 20 bilhões em ETFs
O patrimônio administrado pela área de ETFs do BTG Pactual Asset Management ultrapassou R$ 20 bilhões. No fim de 2024, a gestora possuía aproximadamente R$ 1 bilhão nesses produtos.
Na Investo, apoiada pela gestora global VanEck, os ativos avançaram de R$ 1,7 bilhão para mais de R$ 11 bilhões em um período próximo de dois anos.
O aumento revela a velocidade com que as gestoras estão ampliando o portfólio para atender investidores de varejo, profissionais e institucionais.
Além dos produtos de renda fixa, o mercado inclui fundos voltados a ações brasileiras, índices internacionais, ouro, criptomoedas e diferentes setores da economia.
Para as gestoras, a possibilidade de reunir praticamente qualquer classe de ativos dentro de um ETF amplia o potencial de crescimento desse formato.
América Latina também registra expansão
A procura por ETFs cresceu em outros mercados latino-americanos. Na Colômbia, o número de fundos listados avançou 24% em um ano. No Chile, o crescimento foi de 37%.
No México, o patrimônio de ETFs e de outros produtos negociados em bolsa passou de US$ 14,3 bilhões para US$ 15,3 bilhões, segundo a consultoria ETFGI.
Parte da demanda mexicana vem de investidores institucionais interessados em ações estrangeiras, especialmente empresas americanas ligadas a tecnologia e inteligência artificial. Fundos de pensão do país também utilizam ETFs para ampliar a exposição ao mercado acionário.
Apesar do crescimento, a América Latina ainda representa uma pequena parcela da indústria global.
Nos Estados Unidos, o patrimônio dos ETFs supera US$ 15,6 trilhões. A Europa reúne mais de US$ 3 trilhões, enquanto o Japão lidera o mercado asiático, com aproximadamente US$ 845 bilhões sob gestão.
