O governo dos Estados Unidos concedeu uma isenção temporária de 30 dias para destravar a comercialização de petróleo russo destinado à Índia. A medida, confirmada por duas autoridades seniores americanas à agência Reuters nesta quinta-feira, permite que as cargas atualmente retidas em embarcações em alto-mar sigam para o seu destino final.
A medida não é um “cheque em branco” para novos contratos. Ela se aplica especificamente ao petróleo e produtos derivados que já haviam sido carregados em navios antes de 5 de março de 2026 e que estavam retidos em alto-mar devido ao endurecimento das sanções. O petróleo deve ser obrigatoriamente descarregado em portos indianos e adquirido por entidades organizadas sob as leis da Índia.
A decisão ocorre em um momento de monitoramento rigoroso das sanções internacionais contra a Rússia. Com a nova autorização, o fluxo logístico dessas cargas específicas poderá ser concluído dentro do prazo estipulado, evitando maiores gargalos no fornecimento de energia para o mercado indiano, que tem sido um dos principais compradores do óleo bruto de origem russa.
A liberação pontual reflete o equilíbrio diplomático que Washington tenta manter entre a aplicação de pressão econômica sobre Moscou e a estabilidade do mercado global de commodities. Embora o Departamento do Tesouro dos EUA mantenha as restrições gerais, a isenção de um mês serve como uma válvula de escape para situações de impasse técnico em cargas já contratadas.
O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, justificou a medida como uma forma de aliviar a pressão no mercado global de energia. O principal temor é que o conflito entre EUA/Israel e o Irã resulte no fechamento ou bloqueio do Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo.
Atualmente, estima-se que mais de 15 milhões de barris de petróleo russo estejam em águas próximas à Índia. Liberar esse fluxo evita um desabastecimento crítico nas refinarias indianas, que são grandes exportadoras de combustível refinado para o resto do mundo. O preço do barril tipo Brent subiu de cerca de US$ 66 em fevereiro para a casa dos US$ 84 no início de março, o que pressiona a inflação global.









