A gigante norte-americana de petróleo e gás Exxon Mobil antecipou, em documento regulatório enviado ao mercado, que seu lucro operacional do segundo trimestre de 2026 poderá registrar um incremento de aproximadamente US$ 5 bilhões na comparação sequencial com o primeiro trimestre. O forte avanço projetado para o balanço financeiro decorre diretamente da disparada global nos preços internacionais do petróleo, inflacionados pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, e de uma recuperação expressiva nas margens de refino da companhia.
O desempenho da petroleira reflete o prêmio de risco que rege o mercado de commodities desde fevereiro, quando o agravamento das hostilidades na região do Golfo Pérsico gerou episódios de paralisia no Estreito de Ormuz, canal estratégico por onde escoa cerca de 20% do fluxo global da commodity. Diante do cenário de restrição logística e ameaças à oferta, o preço médio de fechamento do petróleo tipo Brent atingiu o patamar de US$ 96,68 por barril entre abril e junho, o que representa uma valorização de 23% em relação ao primeiro trimestre. O pico de preços ocorreu no mês de abril, quando a referência internacional tocou a marca de US$ 109,27 por barril, patamar que não era observado desde meados de 2022.
De acordo com as estimativas preliminares da Exxon Mobil, o braço de exploração e produção (upstream) deve abocanhar um ganho adicional de cerca de US$ 1,6 bilhão com base no ponto médio das projeções. Já o segmento de refino e distribuição (downstream) deve apresentar uma expansão de lucros da ordem de US$ 2,6 bilhões, impulsionada pelos chamados efeitos de cronograma na contabilidade de estoques.
A virada operacional reverte o quadro do primeiro trimestre, período em que a companhia amargou perdas bilionárias em decorrência de operações malsucedidas de proteção financeira (hedge) atreladas à entrega física de cargas. Por outro lado, a empresa ponderou que os gargalos logísticos e interrupções gerados pelo conflito devem acarretar um impacto negativo de US$ 1 bilhão diluído entre suas unidades produtivas.
O mercado financeiro projeta em consenso, conforme dados compilados pela consultoria LSEG, que a petroleira reporte um lucro líquido ajustado de US$ 15,7 bilhões para o período, o equivalente a quase três vezes o resultado consolidado no balanço anterior. A escalada da lucratividade corporativa em meio ao cenário de guerra comercial e militar recoloca a indústria sob os holofotes de Washington.
Em um ano de forte pressão inflacionária doméstica, o aumento dos lucros ocorre simultaneamente ao encarecimento dos combustíveis nas bombas, o que já motivou cobranças públicas e pressões diretas do presidente Donald Trump para que as lideranças das grandes petroleiras adotem medidas drásticas para conter a escalada de preços da gasolina no varejo norte-americano. A divulgação detalhada e auditada do balanço completo do segundo trimestre da Exxon Mobil está programada para o dia 31 de julho.









