A Farm consolidou sua operação internacional como uma das principais frentes de crescimento da marca. A companhia, criada no Rio de Janeiro por Marcello Bastos e Kátia Barros, hoje tem cerca de 40% do faturamento vindo do exterior, por meio da operação Farm Rio.
O resultado é fruto de uma aposta que enfrentou resistência interna, exigiu investimentos elevados e passou por mudanças de rota até encontrar um modelo sustentável fora do Brasil.
Em entrevista à EXAME, Bastos afirmou que a internacionalização foi contestada por executivos e conselheiros no início. Mesmo assim, os fundadores decidiram insistir na tese de que a estética brasileira da marca poderia encontrar espaço em outros mercados.
Hoje, a Farm é uma das principais marcas da Azzas 2154, companhia formada pela fusão entre Grupo Soma e Arezzo&Co. Em 2025, a grife faturou cerca de R$ 3,4 bilhões, o equivalente a aproximadamente 25% da receita total do grupo.
De feira no Rio a marca global
A história da Farm começou em 1997, em um estande de quatro metros quadrados em uma feira de moda no Rio de Janeiro. Com investimento inicial de R$ 1.200, Bastos e Kátia lançaram uma primeira coleção com 120 peças.
Antes disso, os dois já haviam vivido uma experiência malsucedida no varejo de moda, com uma franquia que gerou prejuízos e levou à perda de patrimônio pessoal. A decisão de criar uma marca própria surgiu depois dessa tentativa frustrada.
A primeira coleção vendeu quase toda em poucos dias. Em menos de seis meses, o pequeno espaço já era um dos maiores faturamentos da feira. A partir dali, a Farm passou a construir uma identidade baseada em estampas, cores, experiência de compra e conexão emocional com o público.
Esse posicionamento ajudou a empresa a crescer no Brasil e, anos depois, serviu como base para a expansão internacional.
Primeiro teste nos EUA não saiu como esperado
A entrada no mercado americano começou em 2017, com vendas pela plataforma Revolve. O desempenho inicial animou a empresa, que decidiu participar de uma grande feira de moda nos Estados Unidos.
O estande chamou atenção, recebeu compradores e teve boa visibilidade, mas os pedidos não vieram na proporção esperada. A Farm entendeu depois que grandes varejistas americanas já planejavam seus orçamentos de compra com antecedência, e a marca ainda não fazia parte desse calendário.
Em vez de encerrar a tentativa, a companhia ajustou a estratégia. O fracasso inicial serviu para mostrar que vender fora do Brasil exigia mais do que levar produtos a outro país. Era preciso criar uma operação local, adaptar processos e conquistar espaço no planejamento de grandes compradores.
Parceria com Anthropologie mudou o jogo
A virada veio quando a Anthropologie, rede americana de varejo, fez um pedido relevante à Farm. A encomenda era maior do que qualquer operação internacional anterior da marca.
A empresa aceitou o desafio, entregou a coleção e teve resultado acima do esperado. A parceria cresceu e abriu caminho para que a Farm passasse a integrar o orçamento anual de compras da rede.
Esse movimento ajudou a justificar novos investimentos em e-commerce, showroom e lojas próprias nos Estados Unidos. A marca também ajustou modelagens ao consumidor americano e reposicionou sua operação internacional em uma faixa mais premium.
Nos Estados Unidos, a Farm passou a ocupar um espaço próximo ao chamado luxo acessível. Essa decisão ajudou a diferenciar a marca das redes de fast fashion e a sustentar margens em um mercado competitivo.
Novos mercados entram no radar
A Farm tem mais de 130 lojas no Brasil e 18 unidades próprias no exterior, além de presença em grandes lojas de departamento internacionais. A operação global já alcança mercados como Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e América Latina.
A próxima etapa inclui lojas de verão em destinos turísticos e de luxo, como Ibiza, Saint-Tropez, Marbella e Capri. A marca também mantém operação sazonal em Mykonos, na Grécia.
A estratégia é testar pontos com alto fluxo turístico e potencial de marca. Caso o desempenho se mantenha, algumas unidades podem se tornar lojas permanentes.
A companhia também vê espaço para avançar em cidades estratégicas da Europa. Depois de consolidar presença em Nova York, Londres e Paris aparecem entre os mercados internacionais de maior resultado para a Farm.
