A Fibrasa, fabricante capixaba de embalagens plásticas, quer crescer em dois mercados bem diferentes: o pote de margarina que vai para o supermercado e o balde de tinta usado na construção civil. A empresa projeta fechar 2026 com R$ 700 milhões em receita líquida e prepara uma nova rodada de investimentos para sustentar a expansão.
Nos últimos dois anos, a companhia investiu R$ 150 milhões. Para os próximos dois, já há mais R$ 120 milhões contratados, levando o ciclo recente a R$ 270 milhões. O dinheiro será usado para ampliar capacidade, reduzir o peso das embalagens de alimentos e aumentar o uso de resina reciclada em baldes industriais.
Criada há 55 anos pela família Castro, na Serra, no Espírito Santo, a Fibrasa atua no mercado B2B e fornece embalagens para indústrias de alimentos, tintas, vernizes, impermeabilizantes, químicos e distribuidores.
O plano passa por vender menos plástico sem vender menos embalagem
A principal aposta da Fibrasa na área de alimentos é reduzir a quantidade de matéria-prima usada em cada pote. O projeto, chamado “Menos é Mais”, tenta diminuir a gramatura das embalagens sem comprometer resistência, transporte, empilhamento ou aparência nas gôndolas.
Um exemplo citado pela empresa é o pote de margarina Primor, da Seara. A embalagem de 250 gramas saiu de 9 gramas para 8 gramas. A diferença parece pequena, mas representa uma redução de cerca de 12% no uso de plástico naquele item.
“A gente fez com esse pote uma redução de 9 gramas para 8 gramas. Parece pouca coisa, 1 grama, mas nesse SKU dessa marca isso significa 11 milhões de potes retirados do meio ambiente”, afirma Bernardo Castro, gerente comercial da Fibrasa e integrante da terceira geração da família fundadora.
Pela estimativa da companhia, se a redução for aplicada aos grandes clientes de margarina atendidos pela Fibrasa, o impacto pode chegar a 100 milhões de embalagens a menos por ano, o equivalente a 2.000 toneladas de plástico.
Baldes de tinta viram nova frente de crescimento
O mercado de tintas é outra avenida relevante. Hoje, parte expressiva das embalagens ainda usa lata metálica, mas a Fibrasa vê espaço para acelerar a substituição por baldes plásticos.
Segundo Bernardo Castro, o balde tem custo menor, não enferruja, facilita o transporte por causa da alça e pode ter menor pegada de carbono. A frente cresce entre 7% e 8% ao ano, de acordo com o executivo.
“A maioria das embalagens de tinta no Brasil ainda é envasada em lata metálica. Só que o balde é mais barato, não enferruja, tem uma pegada de carbono menor e, no tempo, está substituindo a lata”, afirma Castro.
Nessa linha, a sustentabilidade aparece de outra forma. Enquanto embalagens de alimentos não podem usar resina reciclada em contato direto com comida por restrição da Anvisa, os baldes para tintas e produtos químicos podem incorporar material reciclado.
A regra do setor passou a exigir que essas embalagens tenham pelo menos 22% de resina pós-consumo reciclada a partir de 2026. A Fibrasa diz já conseguir fabricar baldes com 100% de resina reciclada, mantendo a função técnica do produto.
Requeijão, margarina e tinta dividem a operação
A produção da Fibrasa se divide em duas linhas principais. A primeira é a de embalagens termoformadas, como potes e copos usados em margarina, manteiga, requeijão, iogurte e outros alimentos vendidos em supermercados.
A segunda é a de embalagens injetadas, onde entram os baldes industriais para tintas, vernizes, impermeabilizantes e químicos. A empresa estima responder por cerca de um quarto da demanda brasileira nesses dois segmentos.
No caso do requeijão, a companhia trabalha na troca do processo injetado pelo termoformado. A mudança pode reduzir o peso da embalagem em até 32%, segundo Castro.
Essa conta também é financeira. A resina plástica representa cerca de 60% do custo de uma embalagem. Ao usar menos material, a Fibrasa reduz impacto ambiental e entrega uma embalagem mais barata para a indústria.
“Na transformação de plástico para embalagem, matéria-prima é perto de 60% do consumo. Então, você reduzir 32% traz um fator de competitividade enorme para os nossos clientes”, afirma Castro.
A Fibrasa nasceu em 1971, no município da Serra, e foi a primeira empresa instalada no Civit, primeiro centro industrial do Espírito Santo. No começo, fabricava sacaria de ráfia para café, grãos, fertilizantes e produtos químicos. A companhia atende clientes no Brasil e em países da América Latina, como Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia. Segundo Castro, o crescimento veio sem aquisições.
“Nós nunca fizemos nenhuma aquisição. É 100% crescimento orgânico”, afirma.
