A exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk sobre a semaglutida — princípio ativo de medicamentos populares como o Ozempic — chega ao fim no Brasil nesta sexta-feira (20). Com a expiração da patente, o mercado nacional, que movimentou mais de R$ 12 bilhões com produtos à base da substância no último ano, torna-se terreno fértil para a entrada de novas farmacêuticas.
Embora a mudança prometa aumentar a oferta e reduzir custos para o consumidor, especialistas alertam que o reflexo direto nas prateleiras das farmácias deve ser gradual.
O cenário brasileiro é de alta demanda: atualmente, mais de 60% da população está acima do peso e 25% lida com a obesidade. Diante desse mercado — o oitavo maior do mundo para a Novo Nordisk —, a empresa dinamarquesa tentou prorrogar sua exclusividade por mais 12 anos na Justiça, mas não obteve sucesso.
Agora, empresas nacionais e estrangeiras estão autorizadas a desenvolver suas próprias versões do composto, embora enfrentem um rigoroso processo de aprovação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Diferente de remédios sintéticos tradicionais, a semaglutida é um medicamento biológico, produzido a partir de sistemas vivos. Por sua complexidade molecular, a legislação brasileira não permite a criação de “genéricos” (cópias idênticas e 35% mais baratas) para essa categoria. Em vez disso, os novos produtos entram na classificação de biossimilares. A estimativa é que os biossimilares cheguem ao mercado com descontos médios de 20%, um abatimento inferior ao dos genéricos comuns. A Anvisa prevê conceder, no máximo, três autorizações por semestre, em um processo que pode se estender até 2028.
Atualmente, os pedidos das farmacêuticas EMS e Ávita Care são os mais avançados. Embora houvesse a expectativa de um parecer da Anvisa para o início de março, o órgão ainda analisa as particularidades técnicas das novas versões.
Apesar da lentidão burocrática, a queda da patente deve desencadear uma guerra de preços indireta. Para manter sua fatia de mercado, a Novo Nordisk pode adotar políticas de descontos mais agressivas antes mesmo da chegada física dos concorrentes às farmácias. No entanto, a clareza sobre os novos valores finais para o paciente só virá após a publicação dos primeiros registros oficiais no Diário Oficial da União.
