A Finaya lançou uma plataforma para instituições financeiras operarem internamente a camada tecnológica de conexão ao Pix, reduzindo a dependência de provedores externos em uma infraestrutura que se tornou central para bancos e empresas de pagamentos.
Batizada de FinDirect, a solução é voltada a participantes diretos do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), estrutura responsável pela liquidação das transações Pix. O produto é instalado na nuvem da própria instituição e opera em modelo de serviço gerenciado.
Na prática, a empresa cliente mantém controle sobre infraestrutura, governança e estratégia de produtos, enquanto a Finaya fica responsável pela evolução tecnológica necessária para acompanhar mudanças regulatórias e operacionais do ecossistema.
“O Pix se tornou um dos principais canais de relacionamento entre instituições financeiras e seus clientes. No entanto, muitas organizações ainda dependem de provedores tecnológicos externos para operar uma infraestrutura que é estratégica para sua própria competitividade”, afirma Sammuel Garcia, CEO da Finaya.
Plataforma mira bancos de médio e grande porte
O FinDirect foi desenvolvido principalmente para instituições de médio e grande porte que já possuem autorização para participar diretamente do SPI, mas utilizam terceiros para viabilizar parte da operação tecnológica.
A plataforma oferece capacidade dedicada de processamento, trilha de auditoria, suporte ao Sistema de Transferência de Reservas (STR) e movimentações no padrão ISO 20022, usado na troca estruturada de mensagens financeiras.
Também inclui recursos de observabilidade com métricas, logs e rastreamento distribuído, além de autenticação multifator, OTP, assinatura eletrônica e criptografia ponta a ponta.
A arquitetura é distribuída em múltiplas zonas de disponibilidade dentro da infraestrutura de nuvem da própria instituição financeira.
Para contratos de longo prazo, o modelo pode prever condições específicas de acesso ao código da solução, segundo a Finaya.
Objetivo é acelerar novos produtos ligados ao Pix
Outro foco está na velocidade de implementação de funcionalidades.
Ao controlar a própria camada tecnológica, a instituição pode organizar o cronograma de lançamentos de acordo com sua estratégia, sem depender das prioridades comerciais de um fornecedor intermediário.
Entre os exemplos citados estão Pix Automático, Pix por Aproximação, cobranças inteligentes e pagamentos recorrentes.
“As evoluções regulatórias acontecem em um ritmo cada vez mais acelerado. Muitas instituições enfrentam desafios para implementar novas funcionalidades dentro dos prazos exigidos”, afirma Caio Santarossa, CTO da Finaya.
A empresa também criou um ambiente sandbox que simula o comportamento do SPI e dos ambientes de homologação. A proposta é permitir testes antes da entrada de novas funções em produção.
Dependência tecnológica entra no centro da estratégia
O lançamento reforça uma disputa crescente no mercado financeiro pela infraestrutura que sustenta serviços de pagamento.
À medida que o Pix ganha novas funções, falhas, indisponibilidade ou demora na adaptação tecnológica podem afetar diretamente a experiência do cliente e a capacidade de lançar produtos.
A aposta da Finaya é que instituições com maior escala passem a buscar mais controle sobre essa camada crítica.
“O FinDirect foi criado para transformar a operação Pix em um ativo sob controle da própria instituição, com mais governança, agilidade e capacidade de inovação”, afirma Garcia.









