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Home Empresas

Fintech aposta em repatriação de executivos para enfrentar falta de mão de obra qualificada

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
02/02/2026
em Empresas, Governança
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Fintech cria programa inédito de repatriação de executivos e transforma escassez de talentos em vantagem competitiva
Divulgação/Bankme

Fintech cria programa inédito de repatriação de executivos e transforma escassez de talentos em vantagem competitiva Divulgação/Bankme

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Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 1991, o estado de São Paulo registrou redução líquida de moradores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — um movimento que tem acelerado a migração de profissionais qualificados para cidades com mais qualidade de vida e menor custo.

Esse fluxo encontra terreno fértil em Londrina, que alcançou um desempenho histórico na geração de empregos em 2025: a cidade aparece na 19ª colocação entre os municípios que mais criaram vagas formais no Brasil, com saldo positivo de 9.152 empregos com carteira assinada entre janeiro e outubro, segundo dados do Caged. Além de ter um custo de vida quase 33% menor que o de São Paulo, de acordo com a plataforma Numbeo, Londrina reúne um ecossistema de inovação em expansão e infraestrutura urbana consolidada, fatores que a colocam entre os polos emergentes mais atrativos do país para executivos de alto desempenho dos setores financeiro e tecnológico.

É nesse contexto que a Bankme, fintech de Londrina e uma das empresas que mais crescem no Brasil segundo o Prêmio Negócios em Expansão da Exame, criou um programa pioneiro de repatriação de talentos para sustentar sua expansão nacional.

Com previsão de faturar R$ 56 milhões em 2025, mais de 200 Mini Bancos ativos, registro na CVM e apoio de fundos como DOMO VC, Apex Partners e Bamboo, a empresa adotou uma estratégia própria para atrair executivos seniores com origem no norte do Paraná que atuavam em posições estratégicas em grandes corporações pelo país, transformando uma limitação histórica das cidades médias em vantagem competitiva.

O resultado foi imediato. A fintech que criou um modelo inédito de Mini Bancos corporativos, onde permite que empresas passem a atuar como suas próprias financiadoras, antecipando recebíveis, alongando prazos e rentabilizando capital dentro do próprio ecossistema, passou a atrair nomes de peso e de grande referências no mercado nacional e internacional como Rafael Peretti (ex-vice-presidente comercial da Neoway-[B]³, e IBM), Aury Ronan Francisco (ex-Neogrid e Itaú) e Wilson Freitas (ex-Volvo e Vivo). Todos retornaram a Londrina para integrar o time de liderança da empresa.

“Repatriar executivos não é só trazer essas pessoas de volta, é atrair capital intelectual, experiência de mercado e novas conexões. Ao criar condições para que profissionais de alto nível que têm origem aqui queiram voltar, a Bankme ampliou o acesso a lideranças experientes sem depender dos grandes centros. Esse movimento eleva o padrão das empresas locais e cria um ciclo virtuoso de desenvolvimento para a região. Porque a disputa por talentos é global, mas a forma como se compete muda tudo”, explica Thiago Eik, CEO e fundador da Bankme.

O projeto nasceu de uma dificuldade recorrente: a alta disputa por profissionais seniores em grandes capitais e o custo elevado de relocação. A partir daí, a empresa passou a mapear executivos de Londrina e região que atuavam em outros mercados, identificando quem desejava retornar caso houvesse uma oportunidade alinhada à carreira. 

“Foi uma virada de chave. Chegou um momento em que percebemos que o problema não era a falta de talento, mas a forma como estávamos buscando. Entendemos que Londrina não precisava competir com São Paulo, mas usar o que tem de melhor: qualidade de vida, custo de vida mais baixo e uma comunidade empreendedora pulsante. Então, deixamos de pescar no aquário, e agora pescamos no oceano”, afirma o CEO.

Desde então, o programa se tornou parte da cultura da empresa e um ativo estratégico. Além de reduzir o turnover, o movimento elevou o nível de senioridade da equipe e fortaleceu a expansão nacional da fintech, que já opera com mais de 200 Mini Bancos ativos e registro na CVM, apoiada por fundos como DOMO VC, Apex Partners e Bamboo.

A aposta em Londrina não é isolada. A cidade vem se posicionando como polo emergente de inovação e finanças, com qualidade de vida elevada e custo de vida quase 33% menor do que o de São Paulo, segundo dados da plataforma Numbeo. Essa combinação vem atraindo profissionais de alto desempenho que buscam equilíbrio entre propósito e performance.

“Existe uma tendência global de pessoas que alcançaram estabilidade profissional escolherem cidades menores, próximas da natureza e com mais segurança. Londrina reúne tudo isso e ainda oferece uma base educacional forte e um ecossistema de startups crescente”, destaca Aury Ronan Francisco”, COO da Bankme.

Para Wilson Freitas, hoje Senior Product Manager da Bankme, essa soma de fatores foi essencial para a decisão de retornar à cidade. “Recebi uma boa proposta de trabalho, tanto profissional quanto financeira. Mas também levei em conta a boa infraestrutura da cidade. Não bastava ter uma boa empresa, era preciso uma cidade com qualidade de vida, bem cuidada, com bons locais para conviver, se divertir e estudar”.

O programa de repatriação, iniciado em 2024, já desperta interesse de outras empresas de tecnologia e finanças do Paraná, que têm procurado a Bankme para entender o modelo. 

“Nosso objetivo é mostrar que é possível construir negócios de escala global a partir do interior, sem abrir mão de qualidade de vida. Repatriar talentos é, acima de tudo, repatriar conhecimento”, conclui Thiago Eik.

Tags: EmpresasFintechGovernançaMercadoNegócios
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