A Firmus Technologies, empresa australiana especializada em infraestrutura de inteligência artificial, anunciou formalmente nesta segunda-feira (29) a assinatura de uma parceria estratégica com a gigante norte-americana de semicondutores Nvidia Corp (NVDA.O). O acordo comercial tem como principal objetivo operacional fornecer a empresas emergentes e startups do ecossistema tecnológico um acesso consideravelmente mais econômico e flexível ao poder computacional de ponta, historicamente concentrado nas mãos de grandes corporações de tecnologia.
O modelo de negócios desenhado pelas companhias prevê que a Firmus adquirirá em escala a infraestrutura de hardware da Nvidia para, em seguida, comercializar serviços de computação em nuvem sob medida para clientes classificados como “IA Nativos”. Essa engenharia financeira garantirá à Nvidia uma receita dupla: o ganho imediato com a venda direta dos produtos e componentes de silício, somado a uma participação contínua nos dividendos e receitas geradas pela operação da nuvem da Firmus. Com base nos compromissos de intenção de compra e contratos já firmados com sua carteira de clientes, a startup australiana projeta faturar até US$ 30 bilhões nos primeiros seis anos de vigência do acordo.
A escala física do contrato impressiona e sinaliza o tamanho da expansão da infraestrutura digital na região do Sudeste Asiático para dar suporte aos modelos de linguagem de grande porte (LLMs). O cronograma do acordo prevê o fornecimento e a entrega de 170.000 Unidades de Processamento Gráfico (GPUs) da Nvidia.
As remessas e a implementação dos chips ocorrerão de forma escalonada entre o primeiro trimestre de 2027 e o início de 2028. Toda a infraestrutura de supercomputação será instalada e operada a partir de megacentros de dados localizados na região de Batam, na Indonésia, um ponto geográfico estratégico devido à proximidade com grandes centros de conectividade da Ásia.
A iniciativa busca corrigir uma assimetria financeira crônica no setor de tecnologia. Atualmente, os custos proibitivos de locação de infraestrutura computacional de ponta atuam como uma barreira de entrada para novos competidores, favorecendo Big Techs com balanços trilionários.
“Trabalhamos para descobrir como reduzir a diferença entre os benefícios de custo que as grandes empresas têm, graças às suas excelentes classificações de crédito, e os das empresas emergentes. Esta é uma forma realmente significativa de equilibrar um pouco o jogo e dar às novas empresas a chance de competir com as grandes”, explicou Tim Rosenfield, co-CEO da Firmus, em entrevista à Reuters.
A relação corporativa entre as duas companhias é antiga e profunda. A Nvidia já havia participado ativamente como investidora em rodadas anteriores de captação de capital privado da Firmus, detendo uma fatia minoritária da firma de infraestrutura. Em abril deste ano, a empresa australiana confirmou ter levantado US$ 1,35 bilhão no intervalo dos seis meses anteriores, rodada de financiamento que elevou a sua avaliação de mercado pós-investimento (valuation) para a marca de US$ 5,5 bilhões.
Em paralelo ao anúncio da parceria, fontes familiarizadas com os bastidores financeiros da Firmus informaram que a diretoria da companhia já contratou assessores e bancos de investimento para dar início aos trabalhos preparatórios voltados a uma potencial Oferta Pública Inicial de ações (IPO). Interpelado diretamente sobre o cronograma ou o andamento dos trâmites para a listagem em bolsa, Rosenfield recusou-se a tecer comentários.
