O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026 para 1,9%, conforme o relatório Perspectiva Econômica Global divulgado nesta terça-feira. O ajuste de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa de janeiro é atribuído, em parte, à condição do país como exportador de energia. Segundo o Fundo, a guerra no Oriente Médio deve gerar um impacto positivo de 0,2 ponto percentual no crescimento deste ano, devido à alta nos preços do petróleo decorrente do fechamento do Estreito de Ormuz.
Apesar da revisão para cima, o ritmo esperado para 2026 ainda representa uma desaceleração frente aos 2,3% registrados em 2025, ano que marcou o pior desempenho econômico do país desde 2020.
O cenário desenhado pelo FMI é mais otimista que o do Banco Central (1,6%), mas permanece aquém das expectativas do Ministério da Fazenda (2,3%) e alinhado com a média das projeções do mercado captadas pelo boletim Focus (1,85%). As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã trazem incertezas, especialmente pelo risco inflacionário global gerado pela crise dos combustíveis.
Para 2027, entretanto, o Fundo piorou sua visão para a economia brasileira, cortando a projeção de crescimento em 0,3 ponto percentual, fixando-a em 2,0%. Essa revisão negativa reflete o temor de uma desaceleração na demanda global, somada ao aumento nos custos de insumos essenciais — como os fertilizantes — e ao aperto nas condições financeiras internacionais.
O relatório pondera, contudo, que a estrutura financeira do Brasil, caracterizada por reservas internacionais sólidas e baixa dependência de dívida externa, deve funcionar como um amortecedor contra esses choques externos.
Em uma perspectiva regional e global, os números do Brasil ficam abaixo da média. O FMI projeta que a América Latina e o Caribe cresçam 2,3% em 2026 e 2,7% em 2027. O país também aparece atrás da média das Economias de Mercados Emergentes e em Desenvolvimento, cujas expansões estimadas são de 3,9% e 4,2%, respectivamente.
O Fundo ressaltou que o impacto do conflito no Oriente Médio é heterogêneo na região, afetando de forma mais severa as economias menores e importadoras de energia, enquanto exportadores como o Brasil conseguem capturar ganhos pontuais com a valorização das commodities.









