Os economistas consultados pelo Banco Central elevaram pela 12ª semana consecutiva a projeção para a inflação de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira. A estimativa para o IPCA passou de 5,04% para 5,09% — patamar que se afasta cada vez mais do teto da meta de inflação e reforça o cenário de persistência inflacionária no horizonte relevante de política monetária. Na contramão, as projeções para o câmbio recuaram pela segunda semana seguida.
No campo da inflação, a deterioração das expectativas se estende além do IPCA. O IGP-M para 2026 avançou de 5,91% para 6,00%, acumulando 13 semanas consecutivas de alta. Para 2027, a projeção do IPCA subiu de 4,01% para 4,02%, na segunda elevação seguida, enquanto a estimativa para 2028 passou de 3,65% para 3,66%. Para 2029, a projeção permaneceu em 3,50% pela 39ª semana consecutiva. Nos preços administrados, houve leve alívio: a estimativa para 2026 recuou de 4,99% para 4,98%, interrompendo um período de estabilidade, enquanto as projeções para 2028 e 2029 seguiram ancoradas em 3,50%, estáveis há 27 e 46 semanas, respectivamente.
No campo do crescimento econômico, as revisões foram positivas. A previsão para o PIB de 2026 subiu de 1,89% para 1,90%, registrando a segunda alta consecutiva. Para 2027, a expectativa permaneceu em 1,70%. As projeções para 2028 e 2029 seguiram inalteradas em 2,00% — patamar mantido há 116 e 63 semanas, respectivamente — sinalizando estabilidade nas estimativas de crescimento potencial de médio prazo da economia brasileira.
No mercado de câmbio, as projeções continuaram em trajetória de queda. A estimativa para o dólar ao fim de 2026 recuou de R$ 5,17 para R$ 5,16, segunda queda consecutiva. Para 2027, a projeção caiu de R$ 5,26 para R$ 5,25, acumulando três semanas seguidas de redução. As estimativas para 2028 e 2029 permaneceram estáveis em R$ 5,30 e R$ 5,40, respectivamente, com a última mantida pelo quarto Focus consecutivo.
Na política monetária, a taxa Selic projetada para o fim de 2026 foi mantida em 13,25% ao ano pela segunda semana seguida, enquanto a estimativa para 2027 permaneceu em 11,25% pelo terceiro Focus consecutivo. Para 2028 e 2029, as projeções seguiram inalteradas em 10,00% ao ano — a de 2028 estável pela 19ª semana e a de 2029 pela quarta semana consecutiva.
O conjunto dos dados desta semana aponta para um cenário de maior persistência inflacionária, com o mercado revisando as projeções do IPCA para cima de forma sistemática há três meses. A manutenção da Selic em 13,25% ao fim de 2026 e a ausência de apostas em cortes de juros no curto prazo sugerem que os agentes econômicos seguem céticos quanto à convergência da inflação à meta — e que o Banco Central deverá manter postura restritiva por um período prolongado.









