Brasileiro transforma frutas da Amazônia em negócio global de US$ 14 milhões

Amazonia Bio Group

O açaí vendido em academias, suplementos e produtos naturais ao redor do mundo virou a base de um negócio brasileiro que quer crescer ainda mais fora do país. Fundada por Felipe Franzina, a Amazonia Bio Group exporta ingredientes produzidos a partir de frutas amazônicas para dezenas de mercados internacionais e projeta dobrar de tamanho em 2026.

A empresa nasceu em 2015 com uma proposta simples: conectar produtores da Amazônia à indústria global de alimentos, cosméticos e nutracêuticos. Hoje, a operação já atende clientes em mais de 30 países e trabalha com frutas como açaí, cupuaçu, acerola, guaraná e camu-camu.

Em 2025, a companhia faturou mais de US$ 7 milhões. Para este ano, a meta é chegar perto de US$ 14 milhões, impulsionada pela compra da primeira fábrica própria no Amapá.

Empresa exporta ingredientes amazônicos para indústrias globais

A Amazonia Bio atua transformando frutas da região amazônica em ingredientes processados usados por grandes empresas do setor alimentício e de suplementos.

Os produtos incluem purês, concentrados e pós liofilizados utilizados em shakes, cosméticos, cápsulas e alimentos chamados de clean label, categoria voltada a produtos com menos aditivos artificiais.

Segundo Franzina, o objetivo sempre foi criar uma cadeia mais sofisticada de valor a partir da biodiversidade amazônica.

“Em 2026 começamos a produzir 100% com uma planta própria. A empresa nasceu para organizar pessoas que não tinham acesso a capital e transformar frutas selvagens em ingredientes premium para o mercado global”, afirmou.

Tecnologia de liofilização virou peça central do negócio

Uma das principais apostas da empresa foi a utilização da liofilização, processo que remove a água dos alimentos sem expor os produtos a altas temperaturas.

A técnica preserva sabor, nutrientes e propriedades naturais das frutas, algo valorizado pela indústria internacional de alimentos funcionais e suplementos.

O açaí se tornou um dos principais produtos da operação. Segundo o empresário, toda a produção atual já está comprometida com clientes internacionais.

Compra de fábrica no Amapá acelerou expansão da empresa

Até 2025, toda a produção da Amazonia Bio era terceirizada. O cenário mudou após a aquisição de uma indústria no Amapá.

A planta tem capacidade para processar cerca de 2 milhões de quilos de açaí por ano e produzir até 4 mil latas de polpa diariamente.

Com a verticalização da operação, a empresa busca ampliar margens, ganhar escala e acelerar exportações.

Hoje, além da estrutura no Brasil, a companhia mantém escritórios em Portugal e na Bélgica para coordenar logística, operação comercial e exportações.

Empresa aposta em bioeconomia e agricultura regenerativa

A cadeia da Amazonia Bio depende principalmente de cooperativas e pequenos produtores locais. Uma das principais parceiras da empresa é a Coop Maracá, no Amapá.

Segundo Franzina, a expansão da produção precisa acontecer sem avanço do desmatamento.

“A nossa ideia agora é fortalecer sistemas de agrofloresta e agricultura regenerativa. Somos totalmente contra o desmatamento ligado à expansão do açaí”, afirmou.

Marca quer levar smoothies amazônicos para supermercados

Além da venda de ingredientes industriais, a empresa também criou uma operação voltada ao consumidor final.

A marca Authentic Fruits produz smoothies feitos com frutas brasileiras e já comercializados em mercados internacionais, principalmente na Alemanha.

Os produtos são vendidos em versões ligadas a benefícios específicos, como energia, imunidade e digestão. A expectativa agora é expandir a operação para o Brasil e avançar em negociações com grandes redes supermercadistas.

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