A GET encontrou espaço no mercado de tecnologia ao atacar uma dor conhecida de grandes empresas: projetos caros de softwares de gestão que nem sempre chegam à operação como deveriam.
Fundada por Rodrigo Salomão, a consultoria se especializou em projetos de SAP para varejo, logística e cadeia de suprimentos. Hoje, atende cerca de 35 clientes nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste.
Em 2024, a empresa registrou R$ 24,8 milhões em receita operacional líquida. No ano seguinte, avançou para R$ 25,3 milhões. Para 2026, a meta é chegar a R$ 30 milhões.
O problema que virou negócio
A origem da GET está em uma percepção de Salomão sobre grandes projetos de ERP no Brasil. As empresas investiam alto em sistemas corporativos, mas muitas vezes não tinham estrutura interna para absorver a implantação.
Quando a consultoria responsável deixava o projeto, parte da operação ainda não estava preparada para usar o sistema com eficiência.
“Os projetos eram muito grandes, às vezes maiores que a própria estrutura do cliente. Quando dava problema, quem sofria era a empresa que contratou”, afirma Salomão.
A GET começou atuando ao lado do cliente, acompanhando projetos conduzidos por grandes consultorias para reduzir falhas, retrabalho e desperdício de orçamento.
Foco em varejo, logística e supply chain
A consultoria atua principalmente com implementação de sistemas SAP voltados a ERP, varejo, logística, armazenagem e transporte.
Nos últimos anos, o foco se concentrou em soluções de supply chain, especialmente WMS e TMS. O WMS organiza armazéns e centros de distribuição. O TMS gerencia inteligência logística e roteirização de entregas.
A especialização ajudou a empresa a disputar contratos com grupos maiores. Em vez de tentar cobrir toda a suíte SAP, a GET concentrou investimento em áreas específicas.
O modelo também inclui ferramentas próprias para acelerar entregas.
“Se um concorrente precisa de dez meses para implementar um WMS, eu consigo entregar em sete porque já tenho componentes pré-configurados”, diz o fundador.
Estrutura enxuta virou vantagem
A GET opera com cerca de 120 consultores, mas mantém uma estrutura fixa reduzida. Para Salomão, esse desenho ajuda a empresa a competir em um mercado dominado por consultorias com custos mais elevados.
“Consultoria tem custo fixo muito alto. Sempre tentei manter a operação enxuta. Isso me dá margem para ser mais competitivo na proposta comercial sem sacrificar entrega”, afirma.
A empresa também investiu na automação de processos internos. Salomão desenvolveu um sistema próprio para controlar apontamento de horas, faturamento e emissão de notas fiscais.
Com menos tarefas operacionais, a companhia passou a dedicar mais tempo ao desenvolvimento comercial.
IA entra como nova camada de valor
A inteligência artificial também entrou no radar da GET. A empresa iniciou o desenvolvimento de produtos conectados aos ERPs dos clientes para ampliar funcionalidades e gerar ganhos operacionais.
Alguns projetos já estão em fase de validação com a base atual.
“Existe muita discussão sobre IA substituir parte do mercado de ERP. A nossa visão é usar isso para gerar camada adicional de valor”, afirma Salomão.
A aposta é usar IA para complementar sistemas corporativos, não para substituir a lógica central dos ERPs.
Salomão nasceu em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e é formado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Uberlândia. Começou a trabalhar com SAP antes mesmo de concluir a graduação.









