Golpes financeiros com IA ficam mais sofisticados e desafiam bancos

Foto: Canva

A inteligência artificial passou a desempenhar um papel central na evolução dos golpes financeiros. Um estudo da empresa de segurança digital BioCatch mostra que 88% dos profissionais do setor financeiro acreditam que a IA aumentou a sofisticação das fraudes, enquanto 80% afirmam que suas instituições já enfrentaram ataques realizados com o uso dessa tecnologia.

Segundo o levantamento, criminosos utilizam recursos de inteligência artificial para automatizar ataques, criar mensagens mais convincentes e ampliar a escala das operações fraudulentas.

América Latina lidera exposição aos ataques

A pesquisa aponta que a América Latina é a região mais afetada por golpes que utilizam agentes de inteligência artificial. Cerca de 89% das instituições financeiras latino-americanas relataram ter enfrentado esse tipo de ataque, índice superior ao registrado na América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico.

Além disso, 89% dos entrevistados na região afirmaram que as tentativas de fraude aumentam ano após ano.

Deepfakes estão entre as principais ameaças

Uma das maiores preocupações do setor é o avanço dos chamados deepfakes, conteúdos falsos gerados por inteligência artificial que reproduzem vozes, imagens e vídeos com alto grau de realismo.

Criminosos têm utilizado essa tecnologia para se passar por familiares, executivos, funcionários de bancos e autoridades, aumentando a credibilidade dos golpes. Dados da Polícia Federal indicam que o uso de deepfakes cresceu mais de 800% entre 2024 e 2025 no Brasil.

Além dos vídeos e áudios falsos, a IA também é empregada na criação de e-mails fraudulentos, páginas falsas de bancos e mensagens personalizadas de engenharia social.

Custos para bancos seguem aumentando

O avanço das fraudes tem elevado os investimentos das instituições financeiras em segurança digital.

De acordo com o estudo, quase metade dos bancos entrevistados gasta pelo menos US$ 10 milhões por ano no combate a fraudes e crimes financeiros. Em cerca de um quarto dos casos, os investimentos superam US$ 25 milhões anuais.

Mesmo com esses recursos, 76% dos executivos afirmam que as perdas financeiras decorrentes de fraudes continuam aumentando.

Equilíbrio entre segurança e experiência do cliente

Outro desafio apontado pela pesquisa é encontrar um equilíbrio entre proteção e conveniência.

Enquanto bancos reforçam mecanismos de autenticação e monitoramento, o excesso de barreiras pode prejudicar a experiência dos clientes. Cerca de 68% dos líderes do setor acreditam que falhas na gestão de fraudes ou dificuldades relacionadas aos processos de segurança já contribuíram para a perda de clientes.

IA também faz parte da solução

Embora esteja sendo utilizada por criminosos, a inteligência artificial também é vista como uma ferramenta importante para a defesa das instituições financeiras.

Bancos vêm investindo em sistemas capazes de identificar comportamentos suspeitos, monitorar transações em tempo real, detectar anomalias e reforçar processos de autenticação digital.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) avalia que o combate aos golpes digitais exigirá cooperação entre instituições financeiras, empresas de tecnologia e órgãos de segurança pública.

Consumidores também precisam redobrar atenção

Especialistas alertam que a sofisticação das fraudes torna cada vez mais difícil distinguir contatos legítimos de tentativas de golpe.

Por isso, recomenda-se desconfiar de pedidos urgentes de transferências, verificar a autenticidade de ligações e mensagens recebidas e evitar compartilhar dados pessoais ou bancários sem confirmação da origem do contato.

Com o avanço da inteligência artificial, a disputa entre criminosos e sistemas de proteção tende a se intensificar, transformando a segurança digital em uma das principais prioridades do setor financeiro nos próximos anos.

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