O Grupo Iter quer provar que ponto turístico famoso não precisa viver só da visita tradicional. Dono do Parque Bondinho Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, o grupo montou uma estratégia para transformar ativos conhecidos em negócios com mais atrações, gastronomia, eventos, experiências pagas e retorno recorrente de visitantes.
A empresa faturou R$ 370 milhões em 2025, avanço de 33% em relação ao ano anterior, e projeta chegar a R$ 1 bilhão até 2030. Para isso, prevê investir R$ 300 milhões nos próximos cinco anos em suas marcas, que incluem o Parque Bondinho, o Parque Caracol, o Parque Tainhas e a operadora de turismo C2Rio.
A aposta é fazer o turista ficar mais tempo e voltar mais vezes
A estratégia do Grupo Iter parte de uma mudança simples no turismo: o visitante não quer apenas passar por um lugar, tirar uma foto e ir embora. A empresa tenta criar motivos para que a experiência dure mais, gere consumo dentro do parque e possa ser repetida em outros horários ou formatos.
Entram nesse plano experiências ao nascer e ao pôr do sol, eventos de bem-estar, parcerias com marcas, restaurantes e atrações de contemplação com algum grau de adrenalina. No Parque Bondinho, por exemplo, o grupo vê espaço para ampliar a visita clássica com produtos que aproveitam melhor o cenário do Pão de Açúcar.
Sandro Fernandes, CEO do Grupo Iter, diz que a expansão precisa respeitar as características de cada destino.
“No Brasil, são cinco países dentro de um grande país. Nosso objetivo é levar experiências respeitando a cultura e a identidade local”, afirma.
Serra Gaúcha virou laboratório para o modelo do grupo
O caso mais avançado dessa estratégia está em Canela, no Rio Grande do Sul. O Grupo Iter assumiu a concessão do Parque Caracol em 2022 e, desde então, investiu R$ 80 milhões no atrativo. O público anual saiu de 200 mil para 500 mil visitantes.
A meta é dobrar esse volume. “Queremos ser a âncora de turismo na serra gaúcha”, diz Fernandes.
A principal obra foi a ampliação do deck da Cascata do Caracol. A estrutura saiu de 40 m² para mais de 1.180 m², com investimento de R$ 40 milhões e uma área de piso de vidro para observação do vale. Em janeiro de 2026, o parque também inaugurou o Corajoso, uma plataforma suspensa a mais de 170 metros de altura.
Ainda neste ano, o espaço deve ganhar uma tirolesa em curva motorizada. A oferta também cresce na gastronomia: o restaurante 20Barra9, especializado em carnes na brasa, vai operar no mirante durante a temporada de inverno.
No Pão de Açúcar, a tirolesa virou o projeto mais sensível
No Rio, a proposta mais comentada é a tirolesa no Pão de Açúcar. O projeto está paralisado por decisões judiciais, mas o Grupo Iter afirma que a obra já passou por aprovações de órgãos responsáveis e teve licenças renovadas.
“Foram mais de dois anos e meio de estudos, e todos os órgãos responsáveis aprovaram os nossos projetos”, diz Fernandes. “Nós tivemos que renovar todas as licenças, foram seis meses de renovação, e todos os órgãos municipais e federais aprovaram novamente os nossos projetos.”
O CEO afirma que a estrutura não deve ser entendida como uma tirolesa tradicional. “Na prática, ela funciona mais como um teleférico individual do que como uma tirolesa tradicional. É um equipamento de altíssimo nível de sofisticação e segurança, sem vibração e sem ruído”, afirma.
Segundo a empresa, o projeto prevê madeiras certificadas, redução de intervenções geológicas e cuidado para limitar o impacto visual na paisagem natural. Para o grupo, a atração poderia marcar uma nova fase do parque, inaugurado em 1912 e modernizado em outros momentos da história, como na troca das cabines em 1972.
